Política

CPMI do INSS cancela sessão após empresário apresentar atestado médico

Empresário Paulo Camisotti não compareceu à oitiva; comissão ameaça adotar medidas legais contra manobras protelatórias

09/02/2026
CPMI do INSS cancela sessão após empresário apresentar atestado médico
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS cancelou, na manhã desta segunda-feira (9), a sessão que estava prevista para as 16h, após o empresário Paulo Camisotti apresentar um atestado médico que justificou sua impossibilidade de comparecimento à oitiva para a qual havia sido convocado.

O anúncio do cancelamento foi feito pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), em publicação na rede social X. Segundo Viana, a CPMI não aceitará "expedientes protelatórios" nem o uso de atestados médicos como forma de esvaziar as investigações. O senador afirmou ainda que a comissão poderá adotar providências legais e regimentais, incluindo a condução coercitiva, caso seja necessário.

Mais cedo, a CPMI também decidiu adiar o depoimento do deputado estadual do Maranhão, Edson Araújo (PSB), investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto. Conforme explicou o senador, Araújo passou recentemente por cirurgia e ainda não possui liberação médica para se deslocar até Brasília. A oitiva será remarcada assim que houver autorização médica.

Paulo Camisotti é proprietário de uma empresa que, segundo a CPMI, recebeu recursos de uma das associações investigadas por participação no esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários. O pai de Paulo, o empresário Maurício Camisotti, é apontado como um dos principais articuladores das fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Antes do cancelamento da sessão, Paulo Camisotti havia obtido um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe garante o direito de permanecer em silêncio durante eventual depoimento. A decisão foi proferida pelo ministro Flávio Dino.

No caso de Edson Araújo, a investigação apura sua atuação à frente de uma entidade de pescadores responsável por descontos associativos em benefícios do INSS. De acordo com a CPMI, o deputado teria se beneficiado do esquema, conforme acusação feita pelo vice-presidente da comissão, deputado Duarte Júnior (PSB-MA).

Após a denúncia, Edson Araújo enviou mensagens com ameaças a Duarte Júnior pelo WhatsApp. "Palhaçada. Quer aparecer. Lugar de palhaço é no circo", escreveu Araújo. "Você vai ter que provar tudo que falou ou vai se arrepender", completou. "O que você vai fazer?", questionou Duarte. "Você vai saber", respondeu Araújo.

Em novembro do ano passado, após o episódio, a CPMI aprovou a convocação de Edson Araújo e a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático.