Política

Presidente da CAE, Renan Calheiros articula ação no STF e na PF para ampliar apuração sobre o Banco Master

Subcomissão será criada para investigar suspeitas de fraudes na instituição liquidada pelo Banco Central e discutir falhas na fiscalização do sistema financeiro

Redação 09/02/2026
Presidente da CAE, Renan Calheiros articula ação no STF e na PF para ampliar apuração sobre o Banco Master
- Foto: Arquivo/Agencia Senado

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal inicia, a partir desta semana, uma articulação institucional para aprofundar as investigações sobre o Banco Master, instituição financeira que teve a liquidação decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado. A iniciativa envolve uma série de encontros estratégicos com órgãos de controle e autoridades do Judiciário e da segurança pública.

À frente da comissão, o senador Renan Calheiros confirmou a criação de uma subcomissão temática destinada exclusivamente à apuração de possíveis irregularidades praticadas pelo banco. A nova instância deverá concentrar esforços na coleta de informações, análise de documentos e acompanhamento das investigações em curso, além de buscar cooperação com órgãos que detêm dados sob sigilo.

A agenda dos parlamentares prevê uma reunião com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, na sede da corporação, para discutir o estágio das apurações criminais. Na sequência, os integrantes da CAE devem se reunir com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, em busca de apoio institucional e acesso a informações protegidas por decisões judiciais.

Na semana anterior, a comissão já havia se reunido com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo. Segundo Renan Calheiros, foi solicitado ao Banco Central o envio integral da documentação relacionada ao Banco Master, incluindo dados submetidos a sigilo. O senador não descartou a possibilidade de submeter ao plenário do Senado um pedido formal para autorizar a quebra desses sigilos.

Durante o encontro, Galípolo teria informado que parte dos documentos só pode ser compartilhada mediante autorização do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, que determinou sigilo rigoroso sobre as investigações. Diante disso, os senadores avaliam que o diálogo direto com o Supremo pode acelerar o acesso às informações.

Além das investigações financeiras, Renan Calheiros anunciou que pretende encaminhar questionamentos oficiais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito de uma reunião não registrada na agenda oficial com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

O plano de trabalho da subcomissão inclui a realização de audiências públicas para discutir as circunstâncias da liquidação do banco, a atuação do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), bem como eventuais falhas de supervisão e lacunas na regulação do sistema financeiro. Ao final, a CAE deve apresentar um relatório com recomendações e propostas legislativas, incluindo a possibilidade de ampliar os poderes de fiscalização do Banco Central sobre fundos de investimento, considerados peça-chave no esquema investigado.