Política
Foragido, Ramagem depõe ao STF por videoconferência em ação sobre o 8 de Janeiro
Ex-deputado, condenado por participação nos atos antidemocráticos, prestou depoimento dos EUA e negou envolvimento nos crimes.
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), atualmente foragido após deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) por videoconferência nesta quinta-feira, 5.
De acordo com os autos, o processo investiga supostos crimes cometidos após a diplomação de Ramagem, relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. Entre as acusações estão dano qualificado com violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, além de deterioração de patrimônio tombado, com prejuízo considerado relevante. Os fatos sob apuração teriam ocorrido até o fim de seu mandato parlamentar.
O interrogatório durou cerca de 50 minutos e foi conduzido por uma juíza auxiliar do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Ramagem esteve acompanhado de seu advogado durante o depoimento.
Segundo informações da GloboNews, durante a audiência, Ramagem negou envolvimento nos crimes e fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes.
A investigação chegou a ser suspensa temporariamente após a Câmara dos Deputados barrar o andamento do processo com base na imunidade parlamentar. O caso foi retomado após a cassação do mandato de Ramagem.
O ex-deputado teve seu mandato cassado em 18 de dezembro, no mesmo dia em que a Câmara também declarou a perda do mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nas redes sociais, Ramagem classificou a decisão como uma "canetada" e acusou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de agir como "subordinado de um ministro ditador", em referência a Moraes.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem foi condenado a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por participação na tentativa de golpe para reverter o resultado das eleições de 2022. Após a condenação, ele deixou o Brasil e fugiu para os Estados Unidos em setembro.
No final de janeiro, o Ministério da Justiça e da Segurança Pública informou ao STF que o pedido de extradição de Ramagem já havia sido encaminhado ao governo dos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2025.
Em novembro, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva do ex-deputado. No mês seguinte, determinou que a Secretaria Judiciária do STF enviasse ao Ministério da Justiça os documentos necessários para formalizar o pedido de extradição. Uma semana depois, a pasta informou ao STF que solicitou ao Ministério das Relações Exteriores o envio do processo às autoridades norte-americanas.
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