Política
Prefeito JHC e a política das conveniências: de Lula a Valdemar Costa Neto
A aproximação com o presidente Lula e, posteriormente, com a liderança do PL expõe estratégia política que mistura governismo e conveniência eleitoral
O prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL) — mais conhecido como JHC — acendeu um sinal de alerta no tabuleiro político após uma sequência de movimentos que revelam uma dobradinha nada clara entre alinhamentos ideológicos e pragmatismos de bastidores. Há apenas cerca de 15 dias, JHC esteve ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agenda na capital alagoana, reforçando publicamente sua parceria com o governo federal e consolidando um diálogo com a esquerda para reforçar obras e programas sociais em Maceió.
Ontem (06), porém, o prefeito posou em Brasília com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL), partido com raízes profundas no centrão e historicamente ligado aos interesses das elites políticas — inclusive após escândalos de corrupção.
Costa Neto não é um mero correligionário: ele é uma figura política com trajetória marcada por envolvimento no escândalo do mensalão, pelo qual foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em 2013, assim como o próprio PL foi, na época, um dos partidos beneficiados por caixa dois para aprovar matérias de interesse do governo.
O contraste explícito
O encontro de JHC com Lula estava associado, ao menos publicamente, a parcerias institucionais, entrega de moradias e reforço ao desenvolvimento social em Maceió.
Já o encontro em Brasília incorporado às redes sociais teve cunho político-partidário: um gesto de aproximação com o comando do PL, liderado por um cacique com histórico duvidoso e que hoje articula alianças e candidaturas para as eleições de 2026.
Essa alternância de palanques e alianças evidencia uma dubiedade política preocupante, que parece priorizar conveniências sobre princípios:
Há pouco tempo, JHC buscou o apoio explícito de Lula e do PT, o que coloca seu mandato no centro da base governista federal — um movimento que gera confiança entre gestores alinhados ao projeto do atual presidente.
Agora, abraça o status quo do centrão comandado por Valdemar Costa Neto — figura cujo partido se orgulha de acomodar interesses de grupos poderosos, inclusive ex-presidenciais como Jair Bolsonaro, e de tolerar práticas políticas que já resultaram em condenações.
O jogo de conveniências
A cartilha centrada em alianças aprende rápido a navegar entre governismo e pragmatismo: divulgar uma foto com Lula pode render recursos federais e inserção política; posar com Valdemar garante respaldo interno ao PL e capital político para futuras disputas eleitorais. O que não fica claro é qual é, afinal, o projeto de país e de Estado defendido por JHC.
Enquanto políticos com clareza ideológica alinham discursos e ações a princípios definidos ao longo do tempo, JHC demonstra um modus operandi mais próximo de “quem dá mais visibilidade hoje?”. Essa postura pode garantir ganhos de curto prazo, mas corrói a confiança de eleitores que esperam coerência e firmeza programática — sobretudo quando se trata da gestão da capital do estado e de sua projeção no cenário nacional.
Jogo duplo?
O prefeito de Maceió precisa responder não apenas com imagens nas redes sociais, mas com convicções públicas: onde está seu compromisso político? Com Lula, com um projeto de desenvolvimento social? Ou com as conveniências e os cálculos eleitorais do PL de Valdemar Costa Neto? A alternância entre discursos contraditórios e alianças mutáveis não inspira confiança — pelo contrário: revela um jogo político que prioriza alianças pragmáticas acima de um projeto de governo coerente e claro para o futuro de Maceió e de Alagoas.
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