Política

Após reajustar próprio salário, Zema critica aumento para servidores do Congresso

Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, condena projeto que concede gratificação e folgas a servidores do Legislativo, apesar de ter sancionado aumento de 300% para si mesmo em 2023.

05/02/2026
Após reajustar próprio salário, Zema critica aumento para servidores do Congresso
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) - Foto: Reprodução / Instagram

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticou nesta quinta-feira (5) o projeto de lei que concede reajuste considerado "fura-teto" e um dia de folga a cada três trabalhados aos servidores do Congresso Nacional. Pré-candidato à Presidência, Zema se manifestou por meio de vídeo publicado em suas redes sociais.

O projeto institui a Gratificação de Desempenho e Alinhamento Estratégico (GDAE), benefício que pode dobrar o salário do servidor, alcançando até 100% do valor do cargo efetivo. Além disso, prevê um dia de licença para cada três dias de trabalho, o que pode elevar a remuneração de altos funcionários da Câmara para cerca de R$ 77 mil mensais.

"O Congresso decidiu trabalhar menos e ganhar o dobro. Parece piada de mau gosto, mas é o Brasil de Lula", declarou Zema no vídeo.

Como revelou o Estadão, representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentaram se eximir de responsabilidade sobre a aprovação do benefício. A Secretaria de Relações Institucionais (SRI) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmaram que não houve acordo ou consulta prévia dos parlamentares sobre o texto.

Durante a votação, lideranças governistas não se manifestaram contra o projeto. Apenas o Partido Novo, legenda de Zema, orientou voto contrário à proposta.

Zema sancionou aumento de 300% para o próprio salário

Apesar das críticas ao reajuste para servidores do Congresso, Zema sancionou em 2023 uma lei que elevou em 300% o próprio salário, além dos vencimentos do vice-governador e dos secretários estaduais.

A norma, promulgada em maio do ano passado, estabeleceu reajustes progressivos para esses cargos. À época, o governo de Minas alegou que os valores anteriores eram incompatíveis com a responsabilidade e a experiência exigidas para as funções.