Política
Projeto propõe ajuste na reforma tributária para beneficiar pequenos agricultores do setor de biocombustíveis
Proposta busca garantir incentivos fiscais a empresas que priorizem a agricultura familiar na produção de biodiesel.
O Projeto de Lei Complementar 33/25 propõe alterações na regulamentação da reforma tributária (Lei Complementar 214/25) para incentivar a participação da agricultura familiar na cadeia produtiva do biodiesel. O texto está em análise na Câmara dos Deputados.
O objetivo central é assegurar benefícios fiscais às empresas de biodiesel que adquirirem matéria-prima de pequenos produtores rurais (não contribuintes), mantendo a lógica do atual "Selo Biocombustível Social".
O que muda
Atualmente, pela reforma tributária, pequenos produtores rurais com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões são considerados "não contribuintes" do novo sistema. Isso faz com que, ao venderem seus produtos à indústria, gerem um crédito tributário menor para quem compra, em comparação aos grandes produtores.
Esse cenário pode levar as indústrias a preferirem negociar com grandes produtores para obter mais créditos fiscais, deixando a agricultura familiar em desvantagem.
De autoria do deputado Nilto Tatto (PT-SP), a proposta cria dois mecanismos para corrigir essa distorção:
- Biodiesel social: indústrias de biodiesel que promovam inclusão social, conforme critérios do governo, terão direito a crédito presumido integral ao comprar matéria-prima de pequenos produtores — igual à alíquota padrão do IBS e da CBS.
- Equidade geral: o projeto garante que a indústria receba o mesmo abatimento de imposto ao adquirir insumos da agricultura familiar ou de grandes empresas rurais, evitando desvantagens tributárias para os pequenos.
Segundo Tatto, o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, criado em 2005, foi bem-sucedido ao aproximar a indústria dos pequenos agricultores, movimentando quase R$ 6 bilhões em 2022 e beneficiando 70 mil famílias. No entanto, ele afirma que a reforma tributária aprovada não contemplou adequadamente esses incentivos.
"É preciso manter o diferencial da agricultura familiar que produz matérias-primas para biodiesel, permitindo que o crédito presumido do produtor rural não contribuinte seja equivalente à alíquota cheia. Isso dará mais atratividade para este agricultor", defende o deputado.
O texto também define, para fins tributários, os conceitos de "produtor rural integrado" e "produtor rural pessoa jurídica".
Próximos passos
A proposta será analisada pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. O texto ainda está sujeito à análise do Plenário.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei complementar
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