Política

CPMI do INSS adia depoimento de Daniel Vorcaro para após o Carnaval

Dono do Banco Master será ouvido no dia 19; comissão mantém depoimentos e discute prorrogação dos trabalhos

03/02/2026
CPMI do INSS adia depoimento de Daniel Vorcaro para após o Carnaval
Daniel Vorcaro - Foto: Reprodução

Inicialmente agendado para a próxima quinta-feira (5), o depoimento de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, à CPMI do INSS foi remarcado para após o Carnaval. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou nesta terça-feira (3) que atendeu a um pedido dos advogados de Vorcaro e reagendou a oitiva para o dia 19.

Viana alertou que, caso o banqueiro não compareça, poderá ser conduzido coercitivamente. Vorcaro é investigado pela Polícia Federal por supostas fraudes envolvendo o Banco Master.

Segundo o senador, o depoente terá de “explicar os 250 mil contratos de empréstimos consignados que o Banco Master tinha em carteira, que foram suspensos pelo INSS por falta de comprovação de documentação que garantisse de fato a efetividade e a anuência dos aposentados”.

Por estar em prisão domiciliar, Vorcaro deverá ser transportado a Brasília sob custódia da Polícia Federal. O presidente da CPMI garantiu que todos os direitos constitucionais do depoente serão respeitados, incluindo o direito ao silêncio, a presença de advogados e o tratamento digno.

Depoimento mantido

Está mantido para esta quinta-feira o depoimento do ex-presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, em reunião marcada para as 9h. Viana destacou que Waller deverá detalhar as medidas adotadas durante sua gestão, avaliar a eficácia dos controles internos implementados e identificar eventuais responsabilidades administrativas na atual gestão.

Habeas corpus

O senador lamentou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que manteve o habeas corpus impedindo o depoimento do empresário Maurício Camisotti à comissão.

Camisotti, empresário do grupo Total Health, foi convocado após a apresentação de oito requerimentos, incluindo um do próprio presidente da CPMI. De acordo com Viana, ele seria ouvido devido ao suposto envolvimento em esquemas de fraude e lavagem de dinheiro.

O empresário é apontado como sócio oculto da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), que teria arrecadado R$ 178 milhões entre 2019 e 2024 por meio de descontos indevidos em folhas de pagamento de aposentados e pensionistas. A Controladoria-Geral da União constatou que muitos beneficiários sequer sabiam que estavam filiados à associação.

Toffoli e prorrogação

O senador Carlos Viana informou ainda que o ministro do STF Dias Toffoli autorizou a devolução do material já apurado pela CPMI, mas apenas após a conclusão das investigações da Polícia Federal.

Por fim, o presidente da comissão anunciou que se reunirá na próxima semana com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir a prorrogação dos trabalhos da CPMI por mais 60 dias.