Política
Candidata tem contas reprovadas após gastar fundo eleitoral com perfumes e festa
Ale Marques, ex-candidata a vereadora em São Paulo, terá de devolver quase R$ 100 mil após uso irregular de recursos públicos durante campanha.
A Justiça Eleitoral reprovou as contas da ex-candidata a vereadora de São Paulo, Alessandra Marques Martins da Costa, conhecida como Ale Marques (Podemos), que disputou as eleições de 2024. A decisão, assinada pela juíza Cecília Pinheiro da Fonseca, da 6.ª Zona Eleitoral, determina que Ale devolva ao Tesouro Nacional o valor gasto em sua campanha — R$ 99.594,99. Apesar do investimento, a candidata obteve apenas 108 votos.
O Estadão tenta contato com a defesa da ex-candidata, que ainda não se manifestou.
De acordo com o Ministério Público Eleitoral, Ale Marques recebeu R$ 100 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado fundão eleitoral, destinado a financiar campanhas com recursos públicos.
Segundo a investigação, a candidata utilizou parte desse valor de forma irregular, realizando compras de perfumes, roupas, presentes e até custeando a festa de aniversário do filho. O Ministério Público afirma que a prestação de contas apresentada à Justiça foi fraudulenta, pois Ale teria tentado simular gastos de campanha para encobrir o desvio de recursos públicos.
"No caso concreto, a candidata contratou sua tia pelo valor de R$ 19.620,00, o que representa cerca de 19% do total das despesas de campanha, para uma candidatura que recebeu apenas 108 votos. Não foi apresentada qualificação técnica específica, nem detalhamento claro das funções exercidas, tampouco comprovação de compatibilidade dos valores com os praticados no mercado, o que viola os princípios mencionados e compromete a regularidade das contratações", destaca a sentença.
Em fevereiro do ano passado, o promotor Silvio Antônio Marques detalhou os gastos suspeitos em denúncia enviada à Justiça Eleitoral.
A candidata declarou um gasto de R$ 458,99 em uma loja de tênis, alegando se tratar de camisetas para a equipe de campanha. No entanto, o cupom fiscal indica a compra de materiais esportivos, como chuteiras e tênis.
Outra despesa declarada foi de R$ 770,00, supostamente para artigos de papelaria, mas a nota fiscal é de uma loja de cosméticos e perfumes.
As contas de campanha também incluem R$ 1.156,00 por "serviços de militância e mobilização de rua". A mulher que recebeu o pagamento negou ter atuado como cabo eleitoral e afirmou que, na verdade, foi contratada para decorar a festa de aniversário do filho da candidata. Nos autos, a decoradora relatou que Ale Marques tentou convencê-la a assinar um contrato falso para justificar o pagamento, proposta que foi recusada.
O Ministério Público também identificou o pagamento de R$ 1,9 mil a uma fornecedora de crepes para a festa, valor declarado como despesa de campanha. Para o órgão, o dinheiro público foi "usado criminosamente para benefício próprio".
As irregularidades vieram à tona após um parente de Alessandra procurar o Ministério Público para denunciá-la. Segundo o relato, a candidata "tem provocado familiares com mensagens e ligações, ostentando valores".
A mãe de Alessandra também foi ouvida. Ela afirmou ter ficado "decepcionada" com a filha e decidiu prestar depoimento por "dever cívico" e para tentar "fazer com que sua filha enxergue valores sociais e familiares".
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