Política
Vorcaro e ex-presidente do BRB divergem sobre origem de carteiras vendidas pelo Master
Acareação no STF revela versões conflitantes entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa sobre créditos adquiridos pelo BRB em 2025
O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões contraditórias durante acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a origem das carteiras "podres" adquiridas pelo banco estatal em 2025.
A sessão, ocorrida em 30 de dezembro do ano passado, teve trechos divulgados em vídeo pelo portal Poder360.
Segundo investigação conduzida pela Polícia Federal, entre janeiro e junho de 2025, o BRB comprou R$ 6,7 bilhões em carteiras consideradas falsas do Master e pagou mais R$ 5,5 bilhões em prêmio, totalizando R$ 12,2 bilhões. Essas carteiras teriam sido originadas pela Tirreno, empresa classificada como "de prateleira" pela PF. A Tirreno foi criada em dezembro de 2024 e, já em janeiro de 2025, começou a repassar créditos ao Master.
Durante a audiência, Vorcaro afirmou que o BRB tinha conhecimento de que as carteiras não eram originadas pelo Master, mas sim por terceiros. "A gente anunciou que faria vendas, naquela ocasião, de originadores terceiros. A Tirreno nem eu mesmo sabia naquela ocasião, se não me engano, que existia o nome Tirreno", declarou. "Conversamos algumas vezes sobre iniciar um novo formato de comercialização, com carteiras originadas por terceiros, e não mais de originação própria", completou.
Paulo Henrique Costa, por sua vez, contestou essa versão. "O meu entendimento, e que coloquei aqui mais cedo, é que eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente", afirmou.
Vorcaro rebateu, dizendo que não havia informação sobre recompra pelo Master e que as carteiras eram provenientes de originadores que já atuavam no mesmo ambiente do banco, mas não tinham sido originadas pela instituição. "Eram carteiras dos mesmos originadores que faziam originação para o Master, mas não especificamente originadas por nós", explicou.
O ex-presidente do BRB reforçou que, em seu entendimento, os créditos eram do Master e que não tinha conhecimento da participação da Tirreno. "Na nossa visão, eram créditos originados pelo Master, vendidos em algum momento e que estavam sendo comprados. Seguimos adquirindo essas carteiras até abril", detalhou.
Segundo Costa, os técnicos do BRB perceberam, a partir de abril, um "padrão comportamental diferente" nas carteiras, o que motivou questionamentos sobre a origem dos créditos. "Ao longo de maio, obtivemos informações de que eram créditos originados pela Tirreno. Quando falamos que eram originados pela Tirreno, não significa que ela produziu o crédito. A Tirreno era uma consolidadora", explicou.
Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro admitiu que não investigou profundamente os contratos, fechando o negócio "menos pela empresa e mais pela pessoa" – referindo-se ao empresário Henrique Peretto, dono da Tirreno e da Cartos, com quem o Master já mantinha relações comerciais.
O episódio faz parte das investigações que resultaram na liquidação do Banco Master pelo Banco Central e na prisão de Vorcaro, que foi solto após 11 dias. No STF, o caso está sob relatoria do ministro Dias Toffoli.
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