Política
Com a ida de Boulos ao governo Lula, pesquisador demitido por Bolsonaro deve assumir vaga na Câmara
Físico e ex-dirigente do Inpe, Ricardo Galvão assume mandato em meio à reorganização do PSOL para 2026 e à consolidação do partido no núcleo político do governo Lula
Com a para o comando da Secretaria-Geral da Presidência, quem assume a vaga na Câmara é o físico Ricardo Galvão (Rede-SP), ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e ex-presidente do CNPq. Galvão ganhou projeção nacional em 2019, quando enfrentou Jair Bolsonaro ao defender os dados do Inpe sobre o avanço do desmatamento na Amazônia, episódio que levou à sua saída do cargo.
Naquele ano, Bolsonaro havia acusado o Inpe de divulgar “números mentirosos” sobre o desmatamento. Galvão reagiu em público, afirmando que os dados eram técnicos, auditáveis e produzidos por servidores de carreira.
Natural de Itajubá, no Sul de Minas, Galvão formou-se em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade Federal Fluminense, fez mestrado na Unicamp e doutorado em Física de Plasmas pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Construiu carreira no Instituto de Física da USP, onde se tornou professor titular e coordenou projetos de pesquisa em fusão nuclear. Também dirigiu o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, presidiu a Sociedade Brasileira de Física e integra a Academia Brasileira de Ciências.
Em 2023, foi nomeado por Lula para presidir o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com a missão de recuperar o orçamento da pesquisa após anos de estagnação e cortes. À frente da instituição, defendeu a recomposição das bolsas, a ampliação da participação feminina na ciência e a valorização das universidades como polos de inovação. Agora, aos 77 anos, assume seu primeiro cargo eletivo.
Galvão, por sua vez, chega ao Legislativo com discurso técnico. Sua atuação deve se concentrar em pautas de ciência, educação, meio ambiente e inovação. A expectativa no PSOL é que ele reforce o diálogo do partido com setores acadêmicos e com a comunidade científica, enquanto Boulos consolida o vínculo com o Planalto e o entorno do presidente Lula.
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