Política
Em segundo mandato, Zema aumenta viagens e passa 40% do tempo fora de Belo Horizonte
Desde janeiro, governador esteve em trânsito em ao menos 109 dias; neste mesmo período, em 2019, foram 68
Após um primeiro mandato criticando a política tradicional e suas práticas, como o uso de aeronaves por parte de seus antecessores, o governador de Minas, Romeu Zema (Novo) intensificou suas viagens e passou, até o momento, ao menos 109 dias distante do Palácio Tiradentes.
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De acordo com dados obtidos no Portal da Transparência do governo, entre janeiro e setembro, o avião particular foi utilizado em 64 trechos aéreos — quantia que equivale ao ano inteiro de 2019, primeiro mandato de Zema, e 23% maior em comparação com o mesmo período (52).
Além de viagens domésticas a cada quatro dias, que envolvem idas à Brasília (10) e a sua cidade natal, Araxá (5), o mineiro passou 17 dias no exterior: dez na Itália e Áustria e sete nos Estados Unidos. Há mais de uma semana, Zema está na Ásia, onde já cumpriu agendas na China e agora passa pelo Japão, em um período total de 18 dias. Em seu primeiro destino, anunciou investimentos, como os R$ 510 milhões que será destinados para descomissionar barragens no estado. O valor é fruto de uma parceria entre as empresas mineiras Gaustec, PST Holding e a chinesa Jingjin Equipment.
Com o intuito de atrair investimentos, essas viagens se tornaram grande alvo de críticas. Isto porque, enquanto o governador estava na Europa, em setembro, uma comitiva do governo federal esteve no estado, sem a sua presença. No seu primeiro mandato, a esta altura, Zema havia passado 16 dias nos Estados Unidos, em duas ocasiões distintas.
O chefe do Executivo mineiro, contudo, não é o único membro da gestão que tem viajado com frequência. O vice-governador, professor Mateus, tem percorrido o estado numa espécie de pré-campanha para 2026 e, na semana passada, cumpriu uma agenda de uma semana na França e no Reino Unido. No mesmo intuito de atrair investimentos, ele esteve acompanhado do secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira.
Neste meio tempo de agendas internacionais, a gestão a quilômetros de distância vive tempos de crise por uma pauta que causa entraves na Assembleia Legislativa há meses: a tramitação do Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Nesta terça-feira, servidores públicos realizaram uma greve geral no entorno da Assembleia Legislativa, em protesto ao projeto que recebe críticas de parlamentares de dentro e fora da base.
Ainda na fase de discussão nas comissões, a proposta insere o estado em um plano pelos próximos nove anos. Neste período, os reajustes salariais ficariam congelados e os concursos públicos seriam suspensos. O intuito do governo seria sanar a dívida do estado com a União, de quase R$ 160 bilhões.
O que desagrada, no entanto, é o fato de o texto abrir brechas para que as estatais sejam vendidas: abre-se um precedente para viabilizar as privatizações da Companhia Energética (Cemig) e da Companhia de Abastecimento (Copasa). Tidas como prioridades para o governador, as privatizações enfrentam resistência popular, o que dificulta o apoio dos deputados.
Procurado, o governo de Minas não respondeu o contato até a publicação desta reportagem. Em caso de manifestação, o conteúdo será atualizado.
Outras concessões
O uso de aeronaves contradiz o discurso usado pelo governador na sua primeira campanha, ainda em 2018. Logo após ser eleito, Zema afirmou que seu mandato marcava o "fim da farra dos aviões".
— Nunca mais Minas vai ser o estado que vai ficar levando o governador para compromissos particulares. Temos de respeitar o dinheiro que o povo mineiro paga de impostos.
Em 2019, ao jornal "O Estado de Minas", o governador alterou sua opinião e disse que, naquele momento, considerava os aviões "imprescindíveis".
A mudança de discursos observadas em relação às viagens ocorrem em outras áreas do governo, principalmente no setor da comunicação. Ao contrário de seu primeiro mandato, Zema dedica esforços para o tema e, para isso, criou uma subsecretaria e passou a reservar mais recursos para investir.
O governador tem ampliado o orçamento na área ano a ano, exceto em 2022, por restrições impostas pela legislação que limitam gastos em anos eleitorais. Para 2023, o montante é recorde: R$ 120 milhões. O valor representa 15 vezes os gastos que teve com publicidade em 2019 (R$ 8 milhões), quando assumiu.
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