Política

“Quem tem fome agora, não tem condições de esperar por 2023”, afirma dirigente socialista Magno Francisco

05/02/2022
“Quem tem fome agora, não tem condições de esperar por 2023”, afirma dirigente socialista Magno Francisco

Dirigente do partido Unidade Popular pelo Socialismo e professor de filosofia Magno Francisco da Silva falou sobre diversos temas à redação da Tribuna do Sertão

Em visita à sede da Tribuna do Sertão o dirigente do partido Unidade Popular pelo Socialismo e professor de filosofia Magno Francisco da Silva concedeu entrevista em que trata sobre a conjuntura política nacional e local, além do desastre ambiental causado pela empresa Braskem em Maceió.

Candidato à Câmara de Vereadores da capital pela sigla nas últimas eleições, Magno projeta o fortalecimento de seu partido, que estreará nas eleições nacionais este ano.
Ressalta-se inclusive que a Unidade Popular, que obteve seu registro em fins de 2018, conseguiu feito que o Presidente da República, Jair Bolsonaro, não conseguiu com o seu “Aliança para o Brasil” – a coleta de mais de 1 milhão de assinaturas para legalização junto ao TSE.

Magno aponta para este ano uma agenda de mobilização política agitada independentemente do pleito de outubro, pelas necessidades de interromper a crise econômica que afeta sobretudo as camadas mais pobres da população e de superar as reformas promovidas pelo governo atual.

TS – Em sua avaliação, a crise que o país atravessa pode ser resolvida com as eleições de 2022? Qual a sua perspectiva para este ano?
MF – Para a classe trabalhadora a única saída possível e o socialismo. Todavia, é preciso criar as condições para a construção de uma sociedade socialista, isso passa pelo desenvolvimento de uma profunda ligação com o povo, pela mobilização em torno dos seus interesses imediatos e a construção de um caminho político sem espaço para concessões aos exploradores do povo. A Unidade Popular nasceu para cumprir essa tarefa. É preciso colocar que não bastasse toda desgraça social provocada pelo neoliberalismo, vivemos no Brasil um governo de tendência fascista, que torna a situação ainda mais caótica. Por isso, a tarefa mais imediata é a derrubada do governo Bolsonaro. Dizer para o povo que basta escolher o Salvador na próxima eleição e os males provocados pelo capitalismo em sua fase neoliberal e fascista serão resolvidos é mentir e pavimentar o caminho de uma grande desmoralização. É preciso intensificar as mobilizações contra a fome, a carestia, a retirada de direitos e por emprego e derrubar o Bolsonaro antes mesmo das eleições. Quem tem fome agora, não tem condições de esperar por um prato de comida que supostamente chegará em janeiro de 2023. Além disso, como enfrentamos um adversário fascista e golpista, daqui até o processo eleitoral certamente teremos muitas turbulências. Dizer para o povo sentar e esperar é um grande equívoco, nós da UP vamos continuar chamando as mobilizações pela derrubada do governo.

TS – Aventa-se no cenário político nacional a possibilidade de uma chapa entre Lula e Alckmin. Qual é a sua consideração sobre essa aliança?
MF – Sinceramente, não esperava nada muito diferente. A política de tentar conciliar interesses inconciliáveis dos trabalhadores e patrões foi uma marca do PT. A questão é que agora esse discurso ganha legitimidade diante do caos provocado pelo Bolsonaro e a grande burguesia que o apoia. O que se pergunta é: que reformas neoliberais promovidas por Temer e Bolsonaro serão revertidas com uma eventual vitória de uma chapa assim? No final das contas, uma grande frustração se estabelece em potencial.

TS – A Unidade Popular, o mais novo partido do Brasil, lançou recentemente a pré-candidatura de Leonardo Péricles para Presidência da República. Como o partido vê a possibilidade de crescimento de seu nome?
MF – A nossa pré-campanha e campanha será nas mobilizações sociais pela derrubada do governo e pelo socialismo. O programa que vamos apresentar será voltado aos interesses exclusivamente da classe trabalhadora, é necessário defender as grandes reformas populares como a reforma urbana e agrária, a suspensão do pagamento da dívida pública, a revogação de todas as reformas neoliberais como a da previdência e trabalhista e a defesa de controle popular na economia capaz de desenvolver as forças produtivas e gerar um grande processo de industrialização da economia, condição necessária para o Brasil passar a ter soberania econômica.

TS – E, regionalmente, quais são as suas projeções para Alagoas?
MF – Pretendemos lançar chapa com representações em todas as regiões de Alagoas, bem como estamos discutindo a candidatura ao governo de Alagoas. Assim como em todo o país, apostamos em alianças com outras organizações do campo da esquerda, com todos os que não aceitam se render a burguesia.

TS – O senhor é dirigente da Unidade Popular pelo Socialismo em Maceió, cidade que experimenta o desastre gerado pela Braskem. Como o senhor vê essa crise nunca antes ocorrida em nossa história e quais são os caminhos possíveis para superá-la, em sua opinião?
MF – O caso da Braskem é a expressão da capacidade destrutiva do capitalismo, não apenas na natureza, mas na vida das pessoas. Se tivéssemos um governo comprometido com o povo e não com o lucro, essa empresa há muito tempo não estaria operando em Alagoas. Penso que não basta garantir a indenização das famílias, é preciso acompanhar a reconstrução da vida dessas pessoas. Além disso, é preciso transformar esse caso de crime ambiental e social numa referência para evitar que isso se repita novamente.