Poder e Governo

Após bloqueios a Valdemar e Cunha, Dino diz que só congressistas podem indicar emendas.

Em decisão, ministro do Supremo Tribunal Federal diz que é "anômalo" que ex-parlamentares e dirigentes partidários "mantenham cotas orçamentárias informais".

Agência O Globo - 14/07/2026
Após bloqueios a Valdemar e Cunha, Dino diz que só congressistas podem indicar emendas.
Flávio Dino - Foto: © Foto / Gustavo Moreno / STF

O ministro Flávio Dino , do Supremo Tribunal, deu uma série de recados a deputados e senadores em despacho assinado na manhã desta terça-feira, ao afirmar que ex-parlamentares e dirigentes partidários não têm "legitimidade" para interferir na alocação de emendas parlamentares.

Após bloquear bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto , e do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha , por suposta indicação indevida de emendas, o ministro fez alusão a uma "oligarquia parlamentar", afirmando que a política não pode se perverter no "reino da vontade de poucos".

"Uma oligarquia parlamentar já seria um grave equívoco constitucional; ainda é pior quando um pequeno grupo se acha legitimado até mesmo para transferir a terceiros - que não são parlamentares - o controle sobre a alocação de recursos do Orçamento Geral da União", frisou em despacho aprovado nesta manhã na ação que trata da transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares.

Indiretamente, o ministro acabou rebatendo as alegações de Valdemar , Cunha e de outros políticos sobre as investigações por suposto peculato-desvio e associação criminosa em razão da indicação de emendas parlamentares.

O ministro destacou, por exemplo, que acordos partidários podem ser celebrados, mas "jamais implicar o descumprimento da Constituição Federal". “Seria normal que um parlamentar atendesse a uma sugestão eventual de um aliado político, mas é totalmente anômalo que ex-parlamentares mantivessem cotas orçamentárias informais e, diretamente, transmitam ordens para funcionários da Casa Parlamentar”, explicou.

Dino ressaltou que as prerrogativas dos deputados e senadores "não podem ser delegadas, cedidas ou informalmente desconsideradas" a outras pessoas, sob pena de "afronta aos princípios da indisponibilidade do interesse público e do patrimônio público".

(em atualização)