Poder e Governo
Moraes diz que determinou operação da PF após Bolsonaro apresentar dados divergentes sobre armas
Advogados afirmam que nada foi encontrado na residência; agentes teriam chegado ao condomínio onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar por volta das 7h
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em decisão que determinou a operação da Polícia Federal para buscar armas do ex-presidente após a defesa apresentar dados divergentes sobre os armamentos.
Segundo o ministro, a discrepância entre as informações prestadas pelos advogados e o fato de já constavam no processo do ex-presidente fez com que a busca “imprescindível” para garantir que não houvesse mais armas na casa do ex-presidente.
"Nas presentes hipóteses, a discrepância entre as informações constantes dos automóveis e aquelas posteriormente apresentadas pela Defesa torna necessária a adoção de busca e apreensão domiciliar a fim de garantir o cumprimento eficaz da ordem judicial de entrega integral das armas de fogo e evitar qualquer dúvida quanto à permanência de armamentos sob a posse, direta ou indireta, do condenado JAIR MESSIAS BOLSONARO" , escreveu Moraes.
Segundo a defesa, os agentes chegaram ao local por volta das 7h para cumprir uma ordem que determinou a procura por armas, munições, acessórios e documentos de registro eventualmente ainda em posse do ex-presidente. Nenhum material foi encontrado. Eles saíram da residência um pouco antes das 8h30.
Nos EUA:
Merval Pereira:
A operação ocorre um dia depois de os advogados de Bolsonaro comunicarem ao STF o paradeiro das duas armas que ainda não foram localizadas pela Polícia Federal. Segundo a defesa, todas as dez armas registradas em nome do ex-presidente já estão sob custódia de órgãos públicos ou têm localização conhecida e informadas às autoridades.
Um dos advogados de Bolsonaro, João Henrique de Freitas, afirmou que a defesa acompanhou a diligência e criticou a decisão de Moraes.
"Acabo de sair da residência do Pres. @jairbolsonaro após acompanhar mais uma busca e apreensão da Polícia Federal, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. O mandado buscou armas, munições, acessórios e documentos de registro. A defesa já havia sido informada anteriormente o paradeiro de todas as armas. Resultado: nada foi encontrado. É lamentável que um ex-presidente da República ainda seja designado a esse tipo de ação" , escrito nas redes sociais.
Na terça-feira, os advogados informados ao Supremo Tribunal Federal que uma das armas do ex-chefe do Executivo, que não havia sido encontrada no Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, está no Rio Grande do Sul.
Segundo os advogados, a arma em questão, uma espingarda, foi um presente dado ao ex-chefe do Executivo e permanece desde a aquisição em uma loja de artigos bélicos em Caxias do Sul (RS), de onde nunca chegou a ser retirada. Inicialmente, a defesa havia informado ao STF que esse armamento também estava sob custódia do Exército, mas corrigiu a informação na petição apresentada na terça-feira.
Segundo a defesa de Bolsonaro, a espingarda Maestro Arms Company, calibre 12, nunca chegou a ser encaminhada ao Exército e permanece sob guarda da empresa importadora. Os advogados sugeriram que Alexandre de Moraes oficiou a empresa para confirmar formalmente a custódia da arma e organizar sua apresentação à Polícia Federal, caso necessário.
Na noite de terça-feira, a defesa acrescentou ainda que uma outra arma cuja localização havia sido questionada pelo STF — uma pistola Glock — está sob custódia da Polícia Civil do Distrito Federal. O armamento foi percebido em uma blitz realizada em junho, quando estava com um militar do Exército que fazia a segurança do ex-presidente.
Ao todo, dez armas estão registradas em nome de Bolsonaro, segunda decisão de Moraes que cassou o porte de arma do ex-presidente. Em resposta ao despacho, a defesa sustentou inicialmente que oito deles estavam sob a Guarda do Exército, enquanto dois já tinham sido entregues à Polícia Federal em 2023, em cumprimento a uma decisão do Tribunal de Contas da União.
O Exército, no entanto, informou ao Supremo que mantinha sob sua custódia apenas seis armas registradas em nome de Bolsonaro, todas posteriormente entregues à Polícia Federal. Diante da divergência, a defesa esclareceu o paradeiro dos outros dois armamentos: a espingarda permanece na importadora de armas no Rio Grande do Sul, enquanto a pistola Glock está sob responsabilidade da Polícia Civil do Distrito Federal.
As armas de Bolsonaro e seu paradeiro
Pistola Forjas Taurus .380 — estava no Exército e foi entregue à PF;
Pistola Forjas Taurus .40 — estava no Exército e foi entregue à PF;
Carabina/Fuzil Springfield Armory — estava no Exército e foi entregue à PF;
Tufão Espingarda — estava no Exército e foi entregue à PF;
Pistola Arex — estava no Exército e foi entregue à PF;
Pistola SIG-Sauer — estava no Exército e foi entregue à PF;
Espingarda Maestro Arms Company — é importadora de artigos bélicos no RS;
Carabina/Fuzil Caracal — já estava com a PF desde 2023, segundo a defesa;
Pistola Caracal — já estava com a PF desde 2023, segundo a defesa;
Pistola Glock — está com a Polícia Civil após ser apreendida com um militar em blitz no DF.
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