Poder e Governo

Michelle avisou a Valdemar que sairia do PL, mas foi convencida por aliadas a recuar

Ex-primeira-dama decidiu deixar presidência do PL Mulher e avisou que não quer concorrer ao Senado após crise com Flávio

Agência O Globo - 01/07/2026

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, nesta terça-feira que iria se desfiliar do partido. A decisão, no entanto, não chegou a ser tomada porque ela foi convencida pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) a permanecer na legenda.

Em vez de sair do partido, Michelle decidiu sair do cargo de presidente do PL Mulher.

A ex-primeira-dama teve uma reunião com Valdemar, que tenta contornar a crise causada após uma briga pública entre ela e o pré-candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro.

Depois da reunião com o presidente do partido, Michelle havia saído decidida a sair da legenda, mas Celina e Damares a convenceram a recuar.

Ela já havia comunicou a parlamentares aliadas que desistiu de concorrer ao Senado.

A decisão, segundo relatos de quem esteve com Michelle nos últimos dias, foi tomada porque ela se sente “esgotada” e está preocupada com a repercussão que a briga pública entre ela e Flávio Bolsonaro.

Aliadas da ex-primeira-dama ainda tentam fazer ela recuar também dessa decisão e querem usar o tempo até as convenções partidárias, que vai até agosto, para tentar chegar a um acordo.

Na quarta-feira da semana passada, Michelle publicou dois vídeos nas redes sociais em que fez uma série de críticas a Flávio. Ela disse que foi “maltratada e desrespeitada” pelo senador do PL e que ele foi ríspido com ela.

A desavença foi motivada por uma queda de braço sobre a posição do PL no Ceará. Flávio e a maior parte da cúpula do partido desejam apoiar Ciro Gomes (PSDB) para governador, enquanto Michelle é contra.

De acordo com aliados de Michelle, a briga pública entre ela e Flávio e a repercussão nas redes sociais, fizeram ela tomar a decisão de não concorrer ao Senado.

Aliados de Flávio têm criticado a ex-primeira-dama pelos vídeos, como o ex-deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, Alexandre Ramagem (PL-RJ) e o influenciador Paulo Figueiredo.

A aliados, a ex-primeira dama tem relatado preocupação sobre como as filhas dela vão receber toda a repercussão da briga nas redes sociais. Michelle também disse que está desmotivada a participar do pleito e que focaria em cuidar do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar após ser condenado pelo caso da trama golpista.

A ex-primeira-dama também se queixa que, após os vídeos, ela virou alvo de crítica dos dois lados, tanto de aliados de Flávio, quanto da campanha do presidente Lula.

Apesar das críticas de aliados, Flávio Bolsonaro tentou fazer com que Michelle participasse de um evento de sua pré-campanha voltado para mulheres, marcado para esta quarta-feira, mas ela não deve estar presente.

Da mesma forma, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tenta aparar as arestas entre ela e Flávio.

“O PL cresceu demais, e eu entendo que as divergências crescem também. É natural isso”, disse Valdemar após Michelle decidir sair do comando do PL Mulher.

O PL havia decidido que Michelle seria candidata ao Senado pelo Distrito Federal, em uma chapa que também contaria com a participação da deputada Bia Kicis (PL-DF) na outra vaga do Senado e de Celina Leão na disputa pelo governo do DF.