Poder e Governo

Ex-tucano cotado pelo PT em Minas apoiou Aécio e pediu impeachment de Dilma

Gabriel Azevedo, ex-líder da “Turma do Chapéu” no PSDB, tenta reduzir resistência interna e diz que “não faz política pelo retrovisor”

Agência O Globo - 23/06/2026
Ex-tucano cotado pelo PT em Minas apoiou Aécio e pediu impeachment de Dilma
- Foto: Reprodução

Um dos nomes avaliados pelo PT para representar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais, o ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) carrega no histórico político uma série de debates com o partido. Entre eles, está a assinatura de um pedido de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff.

Para tentar conter a resistência ao seu nome, o pré-candidato ao governo mineiro cita o exemplo do vice-presidente Geraldo Alckmin, antigo adversário de Lula, e destaca também a oposição que fez ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Azevedo presidiu a Câmara Municipal de Belo Horizonte entre o início de 2023 e o final de 2024. Sua trajetória política começou aos 19 anos, em 2005, quando se filiou ao PSDB. Anos depois, criou a “Turma do Chapéu”, movimento da juventude tucana que buscava modernizar a militância do partido e que se engajou nas campanhas de Antonio Anastasia ao governo de Minas e de Aécio Neves ao Senado, em 2010.

Em 2016, quando Dilma tentou nomear Lula para a Casa Civil — medida vista por opositores como uma forma de garantir o foro privilegiado ao então ex-presidente —, Azevedo, que é advogado, apresentou pedido de impeachment contra um petista. Hoje, argumento que também tomou iniciativa semelhante contra Bolsonaro.

— Redigi pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro, a pior coisa da política brasileira, a pessoa mais nefasta a ocupar a Presidência da República. Fui expulso do meu partido, o Patriota, por criticá-lo abertamente, aliás — afirmou.

Movimentos

Nas últimas semanas, o pré-candidato manteve conversas com lideranças petistas de peso, entre elas o presidente nacional do PT, Edinho Silva.

— Nós conversamos com o Gabriel Azevedo, que é uma liderança do MDB. Temos alianças com o MDB em estados importantes, como Alagoas e Pará. Mas também estamos dialogando com o PSB — disse Edinho, em entrevista ao Valor.

A principal entusiasta da aliança é a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, pré-candidata ao Senado. Ela teme ser convocada pelo PT para disputar o governo caso a sigla opte por lançar candidatura própria. Entre membros mais influentes da direção estadual, porém, a resistência ao ex-vereador é maior.

Outro argumento usado por Azevedo para minimizar o peso do passado em uma eventual parceria com o PT tem Alckmin como exemplo central. O atual vice-presidente disputou a eleição presidencial de 2006 contra Lula pelo PSDB.

— Alckmin é vice-presidente. Isso representa que o futuro é mais importante que o passado. Não faço política pelo retrovisor — afirmou Azevedo, antes de citar movimentos do PT locais contra ele na Câmara de BH. — Os vereadores do PT na Câmara Municipal votaram duas vezes pela abertura de processos de cassação contra o meu mandato. Mas, assim como Juscelino Kubitschek, “não nasci para ter ódio, nem rancores, nasci para construir”.

Nos bastidores, os defensores da parceria com Azevedo recorrem a outros argumentos para tentar reduzir as divergências. Um deles é o fato de que o senador Rodrigo Pacheco (PSB), nome preferido de Lula para assumir uma disputa em Minas, também apoiou o impeachment de Dilma. Aliados apontam ainda que Pedro Rousseff, vereador e sobrinho-neto do ex-presidente, é hoje entusiasta do apoio.

No PT mineiro, há insatisfação com a insistência de Lula, por longo período, em Pacheco, que deu sucessivos sinais de que não desejava concorrer. Com a desistência definitiva do senador a poucos meses da eleição, o partido corre contra o tempo para definir a estratégia no segundo maior colégio eleitoral do país. Em entrevista ao Valor, Edinho Silva sinalizou que a decisão tende a ser tomada até a próxima semana.

Além de Azevedo, outras duas alternativas são discutidas: apoiar um nome do PSB — legenda que tem como opções o ex-presidente da Fiesp Josué Gomes e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Jr.

Antes, o PT chegou a sondar o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), mas ainda há desavenças entre as partes após uma aliança firmada na eleição de 2022. Kalil se sentia um pouco prestigiado, enquanto aliados de Lula reclamam do temperamento do político mineiro.