Poder e Governo
Possível saída de Jaques Wagner da liderança do governo abre conversas por substituição no Senado
Reunião com Lula na quarta-feira deve definir futuro do senador, investigado pela PF por relações com ex-sócio de Daniel Vorcaro
A possível saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após operação da Polícia Federal que expôs relações do parlamentar com o Banco Master, abriu conversas na bancada governamental sobre uma eventual substituição. Uma reunião marcada para quarta-feira entre Wagner e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve definir o futuro do senador no posto.
Caso a mudança seja confirmada, os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE) aparecem entre os nomes cotados para assumir a função.
Integrantes da cúpula do PT e do entorno de Lula decidem livremente a troca, embora Wagner ainda resista a deixar a carga. A avaliação entre governantes é que a permanência dele na liderança pode dar munição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como um dos principais adversários de Lula no cenário eleitoral.
Uma alternativa em discussão é que Wagner peça licença de liderança do governo, abrindo caminho para uma substituição temporária ou definitiva. O ex-ministro da Educação, Camilo Santana é visto pela parte do PT como um nome forte, em razão da boa interlocução política com Lula e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Camilo se mudou do presidente da República durante o terceiro mandato de Lula e manteve relação próxima com Alcolumbre mesmo em momentos de distanciamento entre o Palácio do Planalto e o comando do Senado, especialmente após a disputa em torno de uma indicação para o Supremo Tribunal Federal.
O senador cearense chegou a acompanhar Alcolumbre em inaugurações de equipamentos da área de educação no Amapá. Apesar disso, há avaliação de que Camilo não teria condições de assumir a liderança neste momento, por precisar se dedicar às articulações eleitorais no Ceará.
O entendimento é que Camilo deve permanecer por mais tempo no estado para ajudar a manter o governo cearense sob comando do PT. O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) tem ameaçado o projeto de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), e o próprio nome de Camilo é citado como candidato possível ao governo caso Ciro cresça nas pesquisas e consolide o favoritismo.
Nesse cenário, a líder do PT no Senado, Teresa Leitão, aparece como alternativa considerada mais viável para substituir Wagner. Com mandato até 2030, ela teria maior disponibilidade para atuar em Brasília nesta reta final de sessões do Congresso antes do período eleitoral.
Apesar da indefinição, os aliados do governo não veem uma disputa interna capaz de dividir o partido em torno da escolha. A avaliação é que a função, neste momento, está vazia pela proximidade das eleições e poderia ser exercida por qualquer senador do PT.
O governo ainda pretende votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece fim à escalada de trabalho 6x1. No entanto, o entendimento é que a tramitação da medida dependerá principalmente de um diálogo direto entre Lula e Alcolumbre.
Na semana passada, Wagner foi alvo de mandatos de busca e apreensão da Polícia Federal em investigação sobre suspeitas de que teria recebido “vantagens indevidas” para favorecer interesses do Banco Master.
Entre os governistas, a preocupação é que qualquer pronunciamento ou encaminhamento feito por Wagner na condição de líder do governo no Senado pode se aproximar do caso Mestre do presidente Lula.
Também houve críticas à forma como o senador respondeu às perguntas durante entrevista à BandNews, na quinta-feira. Integrantes do partido avaliaram que Wagner expôs Lula ao mencionar que o presidente o ausente para conversar, aproximando ainda mais o episódio do Palácio do Planalto. Lula ainda não comentou publicamente o caso.
Uma declaração do senador, ao afirmar que Lula já sofreu situações piores, ficou impressionado com a insatisfação no entorno presidencial e entre dirigentes petistas.
— Ele já teve até problemas maiores do que esse, como eu tive, mas ele muito pior, porque foi preso — disse Wagner na entrevista.
Flávio Bolsonaro usou trechos da entrevista, incluindo essa fala, para tentar associar o caso Mestre a Lula.
Apesar da insatisfação, a cúpula do PT afirma confiar que Wagner provará sua inocência. A legenda também deve oferecer estrutura para sua política de defesa e manter apoio à campanha de reeleição do senador.
Aliados do governo avaliam, ainda, que o caso Master tem maior potencial de desgaste para Flávio Bolsonaro do que para Lula. Petistas citam que o próprio Flávio já teve relações com Daniel Vorcaro, dono do Mestre, exposto publicamente. No caso do PT, argumentam, o que veio à tona foi a relação envolvendo um senador do partido, e não o candidato à Presidência.
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