Poder e Governo

Palanque de Lula em MG deve ser definido 'em uma semana' e, em Goiás, até o início de julho, diz Edinho Silva

Estados são os únicos com indefinições sobre tática eleitoral voltada para a reeleição do petista; líder partidário pondera que campanha está 'extremamente organizada'

Agência O Globo - 22/06/2026
Palanque de Lula em MG deve ser definido 'em uma semana' e, em Goiás, até o início de julho, diz Edinho Silva
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Foto AP/Eraldo Peres.

Tratados como os únicos estados ainda sem palanques definidos para o presidente Luiz Inácio da Silva (PT), e Goiás deverão ter as situações "resolvidas" entre a próxima semana e o início de julho, segundo o presidente nacional do PT, Edinho SiIva. Apesar das indefinições, o líder partidário defende que a campanha presidencial seja “extremamente organizada e estruturada no Brasil inteiro”. Conforme mostrado reportagem do GLOBO, em meio à desconfiança de petistas em relação ao nome escolhido pelo núcleo local.

Goiás:

'O voto nos estados':

— Falta resolver (os palanques de) Minas e Goiás. Em Minas, o fato relevante foi a resistência de Rodrigo Pacheco (PSB). Mas as conversas estão avançadas, e eu penso que, em uma semana, definiremos a tática em Minas. E em Goiás, resolvemos até a primeira semana de julho — disse Edinho, em entrevista ao Valor Econômico divulgada nesta segunda-feira.

Segundo Edinho, o terceiro mandato de Lula foi marcado pela “forma republicana” como ele lidou com governadores e prefeitos, o que gerou facilidade para a composição de acordos com siglas aliadas. A estratégia em Minas, no entanto, foi frustrada pela desistência de Pacheco, que, mesmo sendo o nome preferido de Lula, após o término do mandato como senador.

Por conta disso, o PT passou a trabalhar a possibilidade de lançar uma candidatura própria, como defendeu uma resolução aprovada pelo partido. Mesmo assim, como a “prioridade é a reeleição de Lula”, Edinho deixou em aberto firmar alianças com outras legendas:

— O PT aprovou uma resolução defendendo a própria candidatura, o que é correto, porque você não pode entrar no processo de negociação sem uma posição. Mas é evidente que os dirigentes do PT de Minas sabem que a prioridade é a reeleição do presidente Lula —disse. — Nós conversamos com o Gabriel Azevedo, que é uma liderança do MDB. Temos alianças com o MDB em estados importantes, como Alagoas e Pará. Mas também estamos dialogando com o PSB — completou.

Mesmo após a negativa de Pacheco, ele, de acordo com Otacílio Costa Neto, presidente estadual da sigla e prefeito de Conceição do Mato Dentro (MG).

Já Azevedo, do MDB, é ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo, e já chegou a se reunir com Edinho em encontro que contornou com a presença do presidente nacional do partido, o deputado federal Baleia Rossi (SP). O PT também já possui uma composição com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que tem resistido à possibilidade.

Indefinição em Goiás

A demora para a definição do palanque lulista em Goiás é criticada por membros do partido e de siglas aliadas, que apontam a ausência de construção coletiva, possíveis prejuízos para o projeto de reeleição de Lula e, ainda, ressaltam a dificuldade de recuperação o tempo perdido frente a outras pré-candidaturas já consolidadas.

No campo adversário, o governador Daniel Vilela (MDB) assumiu o comando do estado no fim de março e herdou a popularidade e alta aprovação da gestão de Ronaldo Caiado (PSD), que deixou o cargo para concorrer à Presidência. Ao contrário da esquerda, a base governamental enfrentou uma profusão de pré-candidaturas ao Senado com o endosso do ex-governador.

A indefinição no PT ocorre porque a presidente do diretório local, a deputada Adriana Accorsi, descartou concorrente ao Palácio das Esmeraldas para priorizar um novo mandato na Câmara. Indicada como o principal nome do partido, ela é criticada por petistas do estado, que questionam sua condução nas articulações que culminaram na falta de um projeto robusto.

Entre os aliados, a apóstata era Aava Santiago (PSB), vereadora de Goiânia. Com grande alcance nas redes e influência entre mulheres evangélicas, ela chegou a ser recebida por Lula no Palácio do Planalto, mas prioritária para trabalhar para eleitos deputados estaduais e federais.

Atualmente,. Ao GLOBO, ele rebateu a avaliação de que há demora na definição da estratégia eleitoral petista, e alegando que a tática demonstra “cautela e prudência” na tentativa de “ampliar ao máximo” o palanque.

Bueno diz que uma das razões para postergar a decisão foi a esperança do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). . A entrega, porém, foi frustrada.

Bueno foi apresentado na última semana para os partidos coligados e deve realizar novas reuniões ao longo dos próximos dias em busca de oficializar a composição, além de afirmar que sua indicação já foi reconhecida pela Executiva Nacional.

O ex-deputado, contudo, é visto com desconfiança por correligionários, que relatam recebimento de ter um "palanque inexpressivo". Bueno já presidiu o diretório local por três vezes e integrou a direção nacional em ao menos quatro gestões distintas.