Poder e Governo
Indefinições travam palanque de Lula em Goiás
Sucessor de Ronaldo Caiado lidera corrida eleitoral no estado em meio à profusão de pré-candidaturas ao Senado na base governista
A menos de quatro meses das eleições, o palácio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue indefinido em Goiás. O estado é um dos poucos em que o PT ainda não tem uma chapa majoritária encaminhada, já que os principais quadros locais descartaram disputar o governo. A demora é criticada pelos membros do partido e das siglas aliadas, que apontam falta de construção coletiva, possíveis prejuízos ao projeto de reeleição de Lula e dificuldade para recuperar o tempo perdido diante de pré-candidaturas já consolidadas.
No campo adversário, o governador Daniel Vilela (MDB) assumiu o comando do estado no fim de março e herdou a popularidade e a alta aprovação da gestão de Ronaldo Caiado (PSD), que deixou a carga para disputar a Presidência. Diferentemente da esquerda, a base governista enfrentou uma profusão de pré-candidaturas ao Senado, todas com o endosso do ex-governador.
A indefinição no PT ocorre porque a presidente do diretório local, a deputada Adriana Accorsi, descartou concorrente ao Palácio das Esmeraldas para priorizar a busca por um novo mandato na Câmara. Apontada como o principal nome do partido, ela é alvo de críticas de petistas goianos, que questionam sua condução nas articulações que resultaram na falta de um projeto eleitoral mais robusto.
Entre os aliados, a principal apóstata era Aava Santiago (PSB), vereadora de Goiânia. Com forte alcance nas redes sociais e influência entre mulheres evangélicas, ela chegou a ser recebida por Lula no Palácio do Planalto, mas decidiu priorizar a eleição de deputados estaduais e federais. O PSB tem três nomes na Assembleia Legislativa, assim como o PT, e busca ampliar sua presença em Brasília, onde os petistas já contam com dois parlamentares. Atualmente, o PT trabalha pela pré-candidatura do ex-deputado Luis Cesar Bueno.
— Isso não foi demora, não é indefinição. Foi uma tática que mostra que houve prudência e cautela, uma expectativa de ampliação ao máximo o palanque — rebate Bueno.
O ex-deputado, porém, é visto com desconfiança por correligionários. Petistas compartilham Bueno, que está sem mandato desde 2019, um “palanque inexpressivo”.
Bueno afirma que uma das razões para adiar a decisão foi a esperança por uma definição do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). O PT concorreu ao adversário histórico para construir uma aliança, a partir da avaliação de que, no cenário atual, ele representa uma opção mais ao centro. A entrega, no entanto, foi frustrada.
Partidos aliados, como o PSB, presidido por Aava, questionaram a condução do PT no estado. A vereadora afirma que soube da escolha petista pela imprensa e que as conversas para apoio fecham a Bueno ainda estão em andamento. A sigla lançou, na última quarta-feira, a pré-candidatura ao Senado da ex-deputada Isaura Lemos.
A última pesquisa Genial/Quaest, divulgada no fim de abril, mostrou Vilela com ampla vantagem no principal cenário da disputa pelo governo, com 33%. Ele foi seguido por Marconi, com 21%. Quando testada, Adriana apareceu com 10%, e o senador Wilder Morais (PL), com 9%.
Continuidade
Vilela aposta no sentimento de continuidade da gestão de Caiado, que deixou o governo com 84% de aprovação. Após o rompimento com o PL, que optou por lançar a pré-candidatura de Wilder, o ex-governador ampliou sua base, buscou apoio de integrantes do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e lançou quatro nomes ao Senado, todos de siglas distintas.
A primeira-dama Gracinha Caiado, favorita nas pesquisas, disputará pelo União Brasil. Também integraram a composição do senador Vanderlan Cardoso (PSD), do deputado Zacharias Calil (MDB) e do ex-ministro das Cidades Alexandre Baldy (PP).
No início deste mês, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha também lançou sua pré-candidatura pelo PRD. Ele é aliado de Vilela e ficou em segundo lugar na disputa pelo governo em 2022, mas ainda não há definições se irá compor com o emedebista.
Governador por quatro mandatos, Marconi ainda não definiu as outras três vagas de sua chapa. A avaliação de interlocutores é que o tucano aguardou dissidentes da base governista que podem ficar insatisfeitos com o excesso de pré-candidaturas.
Mais à direita, o nome de Wilder ficou marcado por divergências internas no PL. Uma ala da legenda, comandada pelo deputado e pré-candidato ao Senado Gustavo Gayer, defende uma composição com Caiado.
Ambos enfrentam dificuldade para ganhar tração, o que, na avaliação dos membros do partido, também reflete a falta de harmonia interna. Entre os mais otimistas, a expectativa é que o lançamento do chapa, marcado para o próximo dia 27, em Goiânia, possa melhorar o desempenho eleitoral do grupo com o apoio do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que estará presente.
Além de Gayer, serão lançadas como pré-candidaturas o Senado de Oséias Varão (PL), o vereador de Goiânia, e o ex-deputado Delegado Humberto Teófilo (Novo). A composição é a única que já definiu a vaga de vice: Ana Paula Rezende (PL), filha do ex-governador e ex-ministro Iris Rezende.
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