Poder e Governo
PCDF marca oitiva de Bolsonaro sobre pistola apreendida em blitz
Arma registrada em nome do ex-presidente foi recolhida durante abordagem da Lei Seca com sargento do GSI
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que marcou para o próximo dia 24 uma audiência por videoconferência com o ex-presidente Jair Bolsonaro. A oitiva tratará de uma pistola vinculada a ele, apreendida em uma blitz no início da semana.
Um inquérito foi aberto após a apreensão da arma, que estava sob responsabilidade da equipe de segurança do ex-presidente.
Entenda: segundo a PCDF, as informações produzidas no inquérito serão compartilhadas com o gabinete de Moraes. Conforme o boletim de ocorrência, a arma foi recolhida porque não foi apresentada a documentação necessária para o porte.
O registro aponta que o sargento responsável não portava o Certificado de Registro de Arma de Fogo (CRAF), documento obrigatório para comprovar a regularidade do armamento. Diante da ausência do certificado, a pistola foi apreendida.
No boletim de ocorrência, Bolsonaro aparece na condição de “envolvido” no caso. Em documento enviado ao STF, a Polícia Civil informou que pretende ouvir o ex-presidente, que está em prisão domiciliar temporária, por videoconferência. O pedido foi encaminhado diretamente a Moraes em razão das medidas cautelares impostas ao ex-presidente pelo Supremo.
Saiba mais: a corporação também relatou dificuldades para realizar a intimação pessoal de Bolsonaro. No documento apresentado ao STF, o delegado Thiago Boeing Schemes da Silva, da 17ª Delegacia de Polícia, afirma que a diligência não pôde ser concluída porque a equipe de escolta responsável pelo ex-presidente não permitiu o cumprimento do ato.
“A tentativa de cumprimento da intimação pessoal restou infrutífera, uma vez que a equipe de escolta responsável não permitiu a efetivação do ato, impossibilitando a ciência pessoal do intimando”, afirmou o delegado no ofício encaminhado ao STF.
Diante disso, a Polícia Civil solicitou que Moraes autorize formalmente a realização da audiência e determine a intimação do ex-presidente para participar da oitiva marcada para o dia 24.
Nesta quarta-feira, a defesa de Bolsonaro negou ao STF que houvesse irregularidades na posse da pistola apreendida durante a blitz do bafômetro. Segundo os advogados, a posse da arma era regular e, apesar da condenação do ex-presidente a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado em 2022, não houve determinação para entrega de armas ou cancelamento de registros em nome dele.
“Bolsonaro, portanto, não se encontrava em situação irregular”, sustentaram os advogados, após cobrança do ministro Alexandre de Moraes. A defesa alegou ainda que o ex-chefe do Executivo “teria prontamente entregue o armamento” caso houvesse determinação do Supremo.
Ainda segundo a defesa, a equipe de segurança de Bolsonaro, sem o conhecimento do ex-presidente, retirou o percussor da pistola e a deixou “inoperante”, em razão das medicações psiquiátricas que estavam sendo ministradas a ele. O argumento se relaciona à versão apresentada pelo sargento com quem a arma foi apreendida durante a abordagem de fiscalização da Lei Seca. O militar afirmou que estava com a pistola para realizar um reparo.
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