Poder e Governo
Lula diz a presidente do FMI que “nunca foi esquerdista” em conversa no G7
Diálogo informal com Kristalina Georgieva foi captado pela transmissão do evento, realizado na França
Numa conversa informal com autoridades durante a cúpula do G7, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “nunca foi esquerdista” . A declaração foi feita em resposta à diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, que participou de um bate-papo com o brasileiro e o chanceler alemão, Friedrich Merz, antes de uma reunião. O diálogo foi captado pela transmissão do evento.
Durante a conversa, Lula comentou as mudanças no cenário político internacional. Ao abordar o tema, afirmou que “o mundo não é de esquerda” e defendeu que a maior parte dos governos se posicionasse em um campo intermediário.
Na ocasião, Georgieva relatou que, quando Lula foi eleito pela primeira vez, muitos esperavam que ele fosse um esquerdista, mas isso não ocorreu. Em resposta, o presidente disse que mantinha boa relação com sindicatos, mas que nunca foi de esquerda.
— O mundo não é de esquerda, o mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade. Eu nunca fui esquerdista, eu era um dirigente sindical, que tinha uma relação belíssima com o sindicalismo alemão, muito forte. Uma relação boa com o sindicalismo italiano e uma relação boa com a UGT da Espanha — disse o presidente.
Na sequência, Lula relatou um episódio do início de sua trajetória política. Segundo ele, em 1980, foi convidado para participar de um congresso na então União Soviética, mas não atingiu o país. A partir daí, afirmou, passou a ser tratado como “anticomunista”.
— Eu nunca fui. Em 1980 tinha um congresso na Rússia que fui convidado, eu não fui à Rússia porque fui condenado pela Lei de Segurança Nacional. Eu fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade e aí passei a ser tratado como anticomunista — afirmou.
Antes do comentário sobre seu posicionamento político, Lula também conversou sobre o sistema eleitoral brasileiro e elogiou o modelo de urnas eletrônicas adotado no país. O presidente citou a logística para levar equipamentos a regiões remotas e defendeu que a experiência brasileira poderia servir de referência para outras nações.
— Não sei por que a ONU não adota o sistema eletrônico como orientação aos países — disse.
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