Poder e Governo

Irmã de Sicário ameaçou família de Vorcaro, apontam mensagens da PF

Diálogos constam da representação da Polícia Federal tornada pública pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF

Agência O Globo - 16/06/2026
Irmã de Sicário ameaçou família de Vorcaro, apontam mensagens da PF
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

Mensagens obtidas pela Polícia Federal na investigação do caso Master mostram que a irmã de Luiz Phillipi Mourão, também chamado de Felipe Mourão e conhecido como Sicário, ameaçou expor informações que, segundo ela, poderiam comprometer toda a família do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Os diálogos constam da representação da PF tornada pública pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

As mensagens foram trocadas em 26 de abril de 2026, em um grupo de WhatsApp do qual também participava Manoel Mendes Rodrigues, apontado pela PF como operador do jogo do bicho e líder de uma estrutura de intimidação que atuaria em favor de Vorcaro no Rio de Janeiro.

Nas primeiras mensagens, Joana relata dificuldades financeiras e emocionais após a morte do irmão. Em seguida, reclama de Henrique Vorcaro, pai de Daniel, afirmando que ele não teria prestado qualquer auxílio financeiro à família. Na sequência, faz referência a supostos elementos que teriam potencial para atingir os Vorcaro.

“Acabo com a delação do filho, do cunhado e ainda jogo ele atrás das grades também. Eu tenho material para acabar com a família inteira”, escreveu Joana.

Segundo relatório da PF, há indícios de que Joana tenha tido acesso ao conteúdo armazenado no iCloud do irmão. O primo dela disse a Manoel que Joana “passou a noite em claro abrindo o iCloud dele e aí viu coisa demais”.

Após a ameaça, Manoel tentou interromper a conversa pelo aplicativo e propôs um encontro presencial. “Vamos conversar pessoalmente, para você não se prejudicar”, respondeu.

Manoel Mendes Rodrigues é apontado pela Polícia Federal como uma das peças centrais da estrutura paralela que teria atuado em favor dos interesses de Daniel Vorcaro no Rio de Janeiro. Segundo as investigações, ele integrava o grupo denominado “A Turma”, suspeito de intimidar adversários, monitorar desafetos e acessar informações sigilosas de processos judiciais.

A PF afirma que Manoel liderava “uma organização fortemente armada no estado do Rio de Janeiro, com integrantes que realizam segurança privada portando diversos armamentos de grosso calibre, incluindo fuzis, além de veículos blindados e outros recursos típicos de organizações paramilitares”.