Poder e Governo
PT pede investigação sobre filme de Bolsonaro por suspeita de caixa dois
Partido acionou STF, Ministério Público Eleitoral e Polícia Federal e também solicita apuração sobre licenças da produção e possível desvio de finalidade de emendas parlamentares
O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Ministério Público Eleitoral e à Polícia Federal (PF) a abertura de investigação sobre o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), por suspeitas de “desvio de finalidade e execução irregular de emendas parlamentares”. A sigla também aponta indícios de “caixa dois, uso de recursos públicos e articulação internacional”.
Com lançamento previsto para setembro, Dark Horse se tornou alvo de controvérsia após a divulgação de que a produção teria recebido milhões de reais em repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. No pedido, o PT afirma ser “de difícil credibilidade a narrativa de que a integralidade dos recursos” teria sido destinada exclusivamente à produção do filme sobre Bolsonaro.
A legenda solicita que sejam apuradas as licenças municipais para as filmagens, o registro na Ancine, os contratos de distribuição e a cadeia de direitos autorais da obra. Para o partido, investigar “a regularidade da produção é tão importante quanto rastrear o dinheiro”.
“Uma obra lançada no auge do processo eleitoral, dedicada a exaltar Jair Bolsonaro e seu grupo político, não pode circular como se fosse apenas entretenimento quando há suspeitas de financiamento milionário, caixa dois, uso de recursos públicos e articulação internacional”, afirma o PT, em nota.
O partido sustenta que o filme pode funcionar como um “instrumento de promoção política” em meio ao calendário eleitoral. A sigla destaca que a produção também retrata familiares do ex-presidente que devem disputar cargos, como o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como pré-candidato à Presidência da República, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro. “A produção projeta todo o núcleo político familiar de Bolsonaro no momento mais sensível da disputa eleitoral”, diz a nota.
Em relação aos valores enviados por Vorcaro à produção, o PT levanta suspeitas de caixa dois e cita repasses de aproximadamente R$ 60 milhões. Segundo a sigla, os recursos podem ter servido, “direta ou indiretamente”, para financiar a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. O partido também menciona a suspeita de que parte do dinheiro teria sido usada para custear a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O PT pede ainda que a produtora Karina Gama seja investigada por possível uso irregular de recursos públicos em outras entidades, como a Academia Nacional de Cultura e o Instituto Conhecer Brasil. Este último firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi na capital. “A suspeita é que recursos destinados formalmente a projetos culturais ou sociais possam ter sido usados de forma irregular ou sem a execução prevista”, afirma o partido.
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