Poder e Governo

Raquel Lyra evita cravar palanque duplo de Lula em Pernambuco, mas cita relação de 'confiança' com o petista

Declaração ocorre um dia após o ministro Wellington Dias declarar que o presidente terá dois palanques no estado, o que gerou atrito entre o PT e João Campos

Agência O Globo - 09/06/2026
Raquel Lyra evita cravar palanque duplo de Lula em Pernambuco, mas cita relação de 'confiança' com o petista
Raquel Lyra - Foto: Reprodução / Instagram

Sem desejar um palanque com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) ressaltou nesta terça-feira uma relação de “confiança” com o chefe do Executivo. A declaração feita um dia após o ministro Wellington Dias, falou que abriu uma nova frente de atrito entre o PT e o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB), adversário de Lyra no pleito deste ano.

Após consentimento de João Campos:

Entenda:

— Nossa relação com o presidente é baseada no trabalho e na entrega, com a confiança que a gente conquistou do presidente e de seus ministros. Mas não é uma confiança de discurso, mas de quem quer trabalhar junto para fazer bem ao seu povo. O presidente é pernambucano e disse que não faltaria ao nosso estado — disse Lyra à CNN.

Após a fala de Dias, Campos se queixou a Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da pré-campanha petista à Presidência, que passou a atuar para tentar conter a crise.

— Essa posição está clara desde o início. Em Pernambuco, o presidente Lula tem um único palanque, é o do João Campos. O PSB é o maior aliado do PT no Brasil todo. Esse ruído é negativo — afirmou Edinho.

Dias disse na entrevista que a campanha de reeleição do petista deve ser acompanhada por uma articulação voltada ao centro político e defender a construção de palácios estaduais capazes de garantir a governabilidade em um eventual novo mandato, queda que seria o caso de Pernambuco.

— Temos o João Campos e a Raquel Lyra. Vamos lembrar que ela se colocou primeiro como oposição (em 2022) e no segundo turno teve uma posição mais de neutralidade, mas uma parte específica do nosso tempo ficou com ela— afirmou o ministro.

Integrantes da cúpula do PSB ficaram incomodados com a declaração do ministro, já que são frontalmente contra a possibilidade do petista subir também no palanque de Lyra, que busca a reeleição.

O PSB tem tratado a eleição ao governo de Pernambuco como prioridade número um. Dirigentes da sigla dizem que a possibilidade de um apoio dividido de Lula no estado pode levar a uma reavaliação dos apoios do PSB ao PT em outras unidades da federação.

Costura delicada

A declaração do ministro do Desenvolvimento Social também causou desconforto entre aliados de Lula, uma vez que há uma avaliação de que Pernambuco exige uma costura delicada, por se tratar de dois postulantes que indicam que devem apoiar Lula. Interlocutores do presidente dizem ainda que o PSB é o principal aliado do PT nacionalmente e que é preciso evitar ruídos nessa relação.

Esse estremecimento entre as duas siglas sobre eventual palanque duplo em Pernambuco, no entanto, não é novidade. O ex-ministro da Casa Civil Rui Costa era um dos aliados do presidente que defendia essa possibilidade, contrariando Campos. A avaliação, ali, era que a eleição de 2026 será remota e, dessa forma, o petista não poderia prescindir de apoios.

Os campos foram considerados favoritos na disputa, mas o cenário mudou. Pesquisa Datafolha divulgada no fim de maio mostrou uma virada de Raquel Lyra. O levantamento encontrado a governadora na liderança da corrida, com 48% das intenções de voto, contra 43% do ex-prefeito, e também está à frente em um eventual segundo turno. Em abril, Campos aparecia com 12 pontos percentuais de vantagem contra o governador.