Poder e Governo
Presidente do BRB afirmou a Vorcaro que estariam 'juntando as vidas' após negociação de imóveis
Paulo Henrique Costa também questionou a 'necessidade de caixa' do banqueiro para solucionar contas do Master
O então presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou em mensagem enviada a Fábio Vorcaro que os dois estariam "juntando suas vidas" após a negociação envolvendo o recebimento de imóveis em troca de aportes bilionários feitos pelo banco público no Master. A declaração consta em uma troca de mensagens encaminhada pela Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF) e obtida pelo jornal Estado de S. Paulo.
Caso Master:
As investigações apontam para trocas na Rioprevidência, ausência de critérios e alertas ignorados. Ao longo dos diálogos, Paulo Henrique questionou Vorcaro sobre a "necessidade de caixa" do banco Master antes de autorizar repasses do BRB para a compra de carteiras do Master, descritas pela PF como alvos de irregularidades e de fabricação artificial. Vorcaro está preso no âmbito das apurações sobre fraudes fiscais cometidas pela instituição.
Entre as suspeitas levantadas, há registros de uma suposta negociação para o recebimento de imóveis enquanto Paulo Henrique negociava aportes bilionários no BRB. Segundo o Estadão, em novembro de 2024, Vorcaro teria orientado uma corretora de imóveis a buscar apartamentos para o aliado, com interesse específico no condomínio Heritage, localizado no bairro Itaim Bibi, em São Paulo.
A corretora informou ter encontrado um apartamento decorado no 13º andar, avaliado em R$ 45 milhões. Vorcaro autorizou a negociação e, diante de dificuldades para agendar uma visita, sugeriu que a profissional levasse o presidente do BRB para conhecer um imóvel de sua propriedade no mesmo condomínio. Em agradecimento, segundo o Estadão, Paulo Henrique enviou uma mensagem de WhatsApp a Vorcaro em 16 de novembro, dizendo que estariam "juntando suas vidas".
As conversas obtidas pelo jornal mostram ainda que, em 5 de novembro de 2024, Vorcaro enviou mensagem a Paulo Henrique pedindo uma ligação telefônica: “Bom dia, meu amigo, quando puder, vamos falar hoje no tel só para darmos uma alinhada, se possível”, escreveu às 7h45. O então presidente do BRB respondeu em seguida: “Marquei uma reunião às 09:00 para repassar todas as carteiras e ter um cenário mais claro. Te aviso quando sair da reunião.”
Diante da possibilidade de problemas nas carteiras ofertadas, Vorcaro afirmou dispor de "outras carteiras pulverizadas de credcesta" e sugeriu que seria possível criar "alguma estrutura para atender os pré-requisitos". Ele exemplificou: "carteiras de convênios menores que 3mm [milhões]".
O "Credcesta" citado refere-se a um programa de crédito consignado, ofertado como cartão de crédito com desconto direto no salário de servidores públicos e aposentados, inicialmente oferecido pelo Master na Bahia e posteriormente expandido para outros estados, incluindo o Rio de Janeiro.
Em resposta, Paulo Henrique demonstrou interesse na proposta e sugeriu: "Você não quer me mandar tudo e vejo aqui como consigo estruturar?". Na sequência, pediu informações sobre a "necessidade de caixa" do Master para cobrir contas e solicitou o envio de um "cronograma tentativo".
"Faço isso em paralelo ao que estou fazendo com o que já recebemos", afirmou o presidente do BRB. Vorcaro, então, respondeu que levantaria os dados para encaminhar ao aliado.
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