Poder e Governo
De olho no governo do Rio, Paes endurece discurso e promete neutralizar criminosos que desafiarem o Estado
Em entrevista à BBC Brasil, ex-prefeito defende retomada de territórios dominados pelo crime organizado
O ex-prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que deixou a carga em março deste ano para disputar o governo do Estado, introduziu com mais rigor ao detalhar seus planos para a segurança pública. Em entrevista à BBC Brasil, Paes afirmou que criminosos que desafiam o Estado e colocamem vidas em risco serão “neutralizados”. Ele também prometeu políticas para restaurar territórios atualmente sob domínio do crime organizado.
— Se eu for governador, vai ter política pública, clara e retomada de território. E, se a pergunta é, se alguém ousar desafiar o Estado, colocar em risco a vida de um agente público, de um cidadão, e para isso tiver que ser neutralizado, será neutralizado. Aliás, a lei permite assim, lei prevê assim — declarou Paes na entrevista.
Durante uma conversa, Paes comentou ainda a operação policial no Complexo do Alemão, ocorrida em outubro de 2025, que resultou em 121 mortes. Ele criticou a política de segurança do então governador Cláudio Castro e destacou que, no dia seguinte à ação, novos traficantes já ocupavam o local.
— Eu disse isso à época e repito agora: aquilo foi uma operação que só foi feita porque se chegou a um nível no Complexo do Alemão pela inoperância do governo do Cláudio Castro. E aquilo que a gente anterior se confirmou: no dia seguinte, (os fracassos) já estavam todos lá de volta, ou foram substituídos. As comunidades do Alemão e da Penha continuam dominadas pelo crime organizado — afirmou Paes.
Outro ponto abordado foi a expansão das milícias no Rio de Janeiro. Segundo Paes, esses grupos avançaram sobre territórios e venceram a disputa contra o Estado. Ele também comentou o momento de instabilidade política, com o estado sendo governado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, após a renúncia de Cláudio Castro e a prisão do então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União).
— Olha só, é complexo, e não é o incômodo. A margem de segurança é que nós tivéssemos um governador eleito democraticamente tocando as funções políticas do Estado. Essa, aliás, foi a tentativa que meu partido fez ao entrar com uma ação, indo por eleições diretas. Mas essa é uma situação criada pela fragilidade política institucional do grupo que vem governando o Estado há oito anos. É uma circunstância que eles mesmos realizaram quando, em 2022, depois do que já tinham feito em 2018, eles roubaram a eleição, com compra de votos com dinheiro público e todos os escândalos que nós vimos — avaliou Paes.
Ao ser questionado sobre planos futuros, Paes afirmou que sua prioridade é fazer um bom governo, caso seja eleito, e destacou:
— Se eu fizer um bom trabalho, sair vivo e não terminar preso, já é uma vitória.
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