Poder e Governo
Campanha de Flávio Bolsonaro cogita antecipar filme sobre Jair Bolsonaro após crise com Vorcaro
Aliados avaliam que lançar o longa antes da eleição pode reacender debate sobre financiamento
O novo núcleo de comunicação da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a defender, nos bastidores, a antecipação do lançamento de “Dark Horse” , filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. A mudança de estratégia ocorre após o projeto se tornar o principal foco da crise envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Inicialmente previsto para começar em setembro, às vésperas da eleição presidencial, o longo passou a ser visto dentro da campanha como um possível passivo político, caso continue associado ao noticiário sobre o Banco Master durante o período mais intenso da disputa. Segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO, auxiliares do senador discutem antecipar o lançamento para julho. O filme está atualmente em fase de pós-produção, e membros da equipe avaliam que, técnicos, o projeto precisaria de pelo menos mais um mês para ficar pronto para estreia comercial.
Integrantes da campanha avaliam que a estreia próxima ao pleito poderia recolocar no centro da disputa o debate sobre os repasses ligados ao filme. Aliados do senador deliberam ainda que o longo prazo dificilmente ampliaria de forma significativa o eleitorado da presidência do PL.
A discussão ganhou força após o Grupo Prerrogativas e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) acionarem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar barrar a exibição de “Dark Horse” até as eleições. Na ação, os petistas acusam o filme de funcionar como propaganda eleitoral “antecipada” e “dissimulada”, além de pedirem investigação sobre os repasses ligados a Vorcaro.
Integrantes da campanha passaram a citar internamente o precedente de 2022, quando o TSE suspendeu a divulgação do documentário “Quem Mandou Matar Jair Bolsonaro?”, do Brasil Paralelo, às vésperas do segundo turno presidencial. A avaliação dos auxiliares do senador é que uma estreia mais cedo poderia reduzir o risco de o filme ser atingido por decisões judiciais durante o auge da campanha eleitoral.
A discussão foi intensificada após a reformulação do núcleo de comunicação da pré-campanha, marcada pela saída do publicitário Marcello Lopes e pela chegada de Eduardo Fischer para comandar a estratégia de marketing do senador. Embora ainda não tenha reforçado oficialmente a função, espera-se que Fischer promova um reposicionamento da campanha após a crise.
Nos bastidores, membros remanescentes da equipe defendem uma postura mais agressiva de contenção de danos e revisão de temas considerados sensíveis para a imagem de Flávio.
Além do impacto político, os auxiliares da campanha também passaram a discutir o risco de dificuldades comerciais e reputacionais envolvidas na distribuição do filme após a associação do projeto ao caso Master.
A produção de “Dark Horse” entrou no centro da crise após o Intercept Brasil divulgar áudios em que Flávio cobra pagamentos de Vorcaro para bancar despesas do longa. Na gravação, o senador demonstra preocupação com atrasos financeiros e menciona dificuldades para honrar compromissos reforçados com membros da produção, incluindo o ator Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro, e o diretor Cyrus Nowrasteh.
Nesta semana, Flávio também admitiu aliados do PL ter visitado Vorcaro pessoalmente em São Paulo logo após a primeira prisão do banqueiro, sob o argumento de tentar “encerrar” a relação envolvida no filme.
A Polícia Federal investiga se recursos enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado ao entorno de Eduardo Bolsonaro, foram usados exclusivamente na produção cinematográfica ou também ajudaram a custear despesas de permanência do ex-deputado nos Estados Unidos.
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