Poder e Governo
Moraes envia à primeira instância investigação sobre bagagens em voo com parlamentares
Decisão atendeu a pedido da PGR, que não identificou irregularidades por parte dos deputados e senador
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou nesta quinta-feira o envio para a primeira instância da investigação sobre a entrada irregular de bagagens trazidas em um jatinho no qual estavam o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Moraes ordenou o arquivamento da apuração em relação aos parlamentares e remeteu os autos à 1ª Vara Federal de Sorocaba (SP).
A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não identificou nenhum ato irregular por parte dos parlamentares, que possuem foro privilegiado. Além de Motta e Ciro, também estavam no voo os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
"Apesar de a lista de passageiros do voo da aeronave de prefixo PP-OIG indicar a presença de autoridades com prerrogativa de foro perante a Corte, não se cogita da participação de nenhuma delas nos fatos sob investigação. Na realidade, as imagens indicam que os passageiros se submeteram ao procedimento de estilo quanto à fiscalização pessoal. Não há, tampouco, registro de etiquetas, com os nomes dos proprietários respectivos, relativamente às bagagens referidas no caso. Não há, enfim, indício de conexão dos passageiros do voo com eventual conduta de interesse criminal”, afirmou a PGR.
Com a decisão, a investigação seguirá apenas em relação às pessoas sem foro privilegiado, como o dono e o piloto da aeronave. O jatinho particular pousou em São Roque, no interior de São Paulo, após retornar da ilha caribenha de São Martinho.
O inquérito foi aberto em janeiro para apurar possíveis crimes de prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho por parte do auditor fiscal que permitiu o desembarque das malas sem inspeção pelo raio-x do aeroporto. Imagens de câmeras de segurança do terminal executivo, usado apenas para voos privados, mostram que um tripulante da aeronave passou pelo lado de fora do aparelho de fiscalização. Além de malas, havia sacolas e uma caixa em um carrinho utilizado para transportar os volumes.
Segundo a Polícia Federal, as imagens do aeroporto mostram que apenas o tripulante da aeronave passou por fora do aparelho de raio-x com as bagagens não identificadas. Os investigadores ressaltam, contudo, que "não é possível afirmar categoricamente a quem os volumes pertencem ou seu conteúdo". Diante da presença de parlamentares com prerrogativa de foro entre os passageiros, o caso foi encaminhado ao STF em abril. O caso foi revelado pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmado pelo GLOBO.
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