Poder e Governo
Hackers a serviço de Vorcaro tentaram invadir celular do colunista Lauro Jardim, aponta PF
Banqueiro foi preso em março sob suspeita de orquestrar assalto forjado para prejudicar jornalista do GLOBO
A investigação da Polícia Federal (PF) que resultou na sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira, revelou que um grupo de hackers ligado ao banqueiro Vorcaro tentou acessar o celular do colunista Lauro Jardim, do GLOBO. O pedido teria partido do próprio banqueiro, preso em março por suspeita de determinar um assalto forjado para "prejudicar violentamente" o jornalista.
Entenda:
Leia:
Segundo troca de mensagens divulgada neste domingo pelo programa "Fantástico", da TV Globo, a tentativa de invasão ocorreu em julho do ano passado. O grupo de hackers, que operava em favor de Vorcaro, era liderado por Henrique Vorcaro, pai do banqueiro e apontado como operador financeiro do esquema. Henrique foi preso nesta fase da Operação Compliance Zero.
Nas mensagens, Vorcaro solicita a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário", que hackeasse o jornalista. Mourão responde que providenciaria a ação.
Em outro trecho, Mourão relata ter enviado uma mensagem ao telefone de Jardim, com o objetivo de marcar uma reunião e encaminhar um link fraudulento para um encontro virtual, o que possibilitaria o acesso aos dados do colunista.
Leia o diálogo:
VORCARO: Preciso hackear esse Lauro.
MOURÃO: Vou mandar fazer isto.
MOURÃO: Já pedi aos meninos para fazer isto, mandar no e-mail.
MOURÃO: Quer que tome o cel dele?
MOURÃO: Chamei o Lauro no zap.
‘Os meninos’
Um dos hackers do grupo, Victor Lima Sedlmaier, é descrito pela PF como especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal. Segundo a apuração, os hackers contratados recebiam R$ 75 mil por mês.
As investigações apontam que Victor atuava ao lado de David Henrique Alves e Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos no braço tecnológico do esquema. Todos eram subordinados a Mourão, que foi preso em fase anterior da operação e se suicidou enquanto estava detido.
‘A turma’
O grupo comandado por Henrique Vorcaro, chamado de "A turma", era utilizado para intimidar desafetos do grupo criminoso, atuando como braço armado. Em outro momento, Vorcaro chegou a dizer que "queria mandar dar um pau" no jornalista e "quebrar todos os dentes". O banqueiro também pediu para "botar gente seguindo" Lauro, pedido que Mourão afirmou ter atendido.
O GLOBO divulgou nota oficial quando o plano de ataque ao jornalista Lauro Jardim veio à tona:
"O GLOBO repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava 'calar a voz da imprensa', pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público."
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