Poder e Governo
Aliados projetam recuo do PL na candidatura de Eduardo Bolsonaro antes da campanha; Prado nega
Presidente da Alesp obteve apoio para a segunda vaga ao Senado com acordo por suplência, mas risco jurídico afeta planos
A candidatura de (PL) como suplente ao Senado em segundo São Paulo teria dados para acabar, articuladores políticos da chapa, ainda que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o titular, rejeitem publicamente essa possibilidade. Sob reserva, duas fontes diferentes afirmam que a alteração deve ser feita no prazo das convenções partidárias, portanto, antes do período oficial de campanha.
O recuo passaria pelo . Eduardo responde a uma ação penal por coação no curso do processo criminal contra o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e pode ser declarado inelegível ainda que este ano caso seja condenado. Existe um certo conformismo de que ele deve mesmo ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa.
As revés poderiam levar à anulação dos votos obtidos por Prado, no caso da permanência de Eduardo na chapa até a eleição, e facilitar a vitória de adversários ligados ao presidente Lula.
Procurado pela GLOBO, André do Prado disse que o companheiro de chapa é plenamente elegível e que a participação de Eduardo se dará “até o final”. O presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) tem usado a posição dada ao aliado como forma de diminuir resistências do bolsonarismo ao seu nome, cuja ascensão passa por políticas de base e acordos regionais com Valdemar e o PL.
Rival nas eleições, o deputado federal Ricardo Salles (Novo), por exemplo, explora esse histórico ao sustentar que Prado não seria um representante da direita, e sim do chamado “Centrão”, bloco de partidos que costumam aderir a todo e qualquer governo. Salles concorre de modo independente do PL. Ex-ministro de Bolsonaro, ele passou a ser criticado por parte do grupo político ao insistir numa candidatura ao prefeito de São Paulo e apoiar o empresário Pablo Marçal (União Brasil).
Prado diz que ainda não define sua equipe de campanha e deve tratar disso, nas próximas semanas, junto ao governador (Republicanos), um dos fiadores da candidatura e de quem é próximo. O publicitário Duda Lima, ex-marqueteiro de Bolsonaro e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), deve participar de alguma forma. Nesta sexta-feira (15), o deputado participa de um evento ao lado do ex-secretário estadual de Segurança Pública, (PP), com quem irá dobrar no pleito.
Risco jurídico
Especialistas em Direito Eleitoral explicam que a conformidade de candidatos titulares e suplentes é comprovada de forma conjunta. O indeferimento ou a cassação do registro, dessa forma, afeta a todos, mesmo que diga respeito a apenas um deles. Existe previsão para troca dos nomes até 20 dias antes do primeiro turno — mas, perdido o prazo, a chapa tem os votos anulados caso a pendência não seja revertida na Justiça.
Nesta semana, a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou as questões finais na ação penal sobre coação, cujo relatoria é o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A PGR pede a comentários do ex-parlamentar sob o argumento de que teria atuado para constranger ministros da Corte e interferir no julgamento do pai, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. A tentativa ocorreu por meio de avaliações do governo americano às autoridades brasileiras, como a suspensão de vistos, além do tarifaço sobre as exportações.
Segundo a revista “Veja”, o PL prepara uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a situação jurídica de Eduardo. O GLOBO incluiu a direção do partido e advogados próximos da família Bolsonaro, mas eles não prestaram esclarecimentos. Por regra, a consulta não pode abordar um caso concreto, e sim uma situação hipotética. Mas os partidos utilizam o método para ter um indicativo de como o tribunal deve votar a respeito de casos que não apresentem uma transferência consolidada.
Ao mesmo tempo, os diálogos revelados entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para conseguir dinheiro para o filme “Dark Horse”, . A Polícia Federal apura se o recurso destinado a um fundo sedado nos Estados Unidos poderia ter sido direcionado aos custos de sua permanência no exterior, considerando que a gestão financeira cabia a um advogado ligado a ele, Paulo Calixto. Eduardo negou a prática e classificou a suspeita da PF como “tosca”.
Chapa petista
O presidente Lula e o PT adotaram uma tática de compor com outros partidos e encaminhar candidatos de centro na tentativa de conquistar as duas vagas em São Paulo contra o grupo de Tarcísio. A ex-ministra do Planejamento, (PSB), trocou de domicílio eleitoral e de partido para concorrer a seu pedido. O restante da chapa permanece indefinido, com (Rede) e (PSB) cotados e sem divulgação dos suplentes. O candidato ao governo será Fernando Haddad (PT).
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