Poder e Governo

Ciro Nogueira reage a operação da PF, denuncia perseguição e descarta renúncia

Presidente do PP associa investigação a perseguição política e afirma que nada o fará abandonar o povo que confia nele

Agência O Globo - 08/05/2026
Ciro Nogueira reage a operação da PF, denuncia perseguição e descarta renúncia
Ciro Nogueira - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Um dia após ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) se manifestou publicamente nesta sexta-feira e afirmou que há uma tentativa de manchar sua honra pessoal. Em nota divulgada nas redes sociais, o presidente nacional do PP relacionou o episódio a perseguições políticas vividas em disputas eleitorais anteriores e deixou claro que não pretende abrir mão do mandato.

Sem mencionar diretamente a investigação, Ciro afirmou que "todo ano político é a mesma coisa" e disse que tentam "parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos".

— Isso aconteceu comigo em 2018, faltando 15 dias para a eleição. Mas o povo do Piauí sentiu a perseguição política e o efeito foi contrário: crescemos 6 pontos na pesquisa e vencemos aquela eleição — escreveu.

O senador relembrou episódios anteriores em que foi investigado e afirmou que acusações contra ele já teriam sido derrubadas pelo "devido processo legal".

— Na primeira tentativa de me parar, o devido processo legal apurou as ilações e mentiras contra mim e ficou comprovada a minha inocência. Mas fica uma pergunta: quem devolve a honra de uma pessoa depois de um ataque tão maligno e sem fundamentos como esse? — declarou.

Ao agradecer manifestações de apoio após a operação, Ciro afirmou ainda que os acontecimentos lhe dão "mais energia para lutar" e concluiu a mensagem dizendo estar "completamente indignado".

Agora, aliados próximos afirmam que o senador não trabalha com a hipótese de deixar o cargo. Na mensagem divulgada, Ciro reforçou que "nada" o fará abandonar "o povo que confia" nele e destacou que os acontecimentos lhe dão "mais energia para lutar por mais recursos para o povo do Piauí".

Apesar da mobilização interna do partido, lideranças do Centrão adotaram cautela pública diante da investigação, evitando associação direta ao senador em meio ao temor de novos desdobramentos envolvendo o caso Master.

Nesta quinta-feira (13), Ciro foi alvo da Polícia Federal na fase da operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master. Segundo a corporação, Ciro é apontado como possível "destinatário central" de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao banco.

A defesa do senador nega qualquer irregularidade.