Poder e Governo
Defesa de Ciro Nogueira repudia suspeitas e diz que senador vai esclarecer fatos
Advogados criticam 'ilações de ilicitude' e afirmam que parlamentar colaborará com apuração sobre suposto favorecimento ao Banco Master.
A defesa do senador Ciro Nogueira afirmou nesta quinta-feira que o parlamentar irá colaborar com as investigações da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, e repudiou o que classificou como 'ilações de ilicitude' relacionadas à sua atuação parlamentar no caso do Banco Master.
Em nota divulgada após a operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os advogados destacaram que Ciro está comprometido em contribuir com a Justiça 'a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados'.
A manifestação também criticou a decisão que autorizou as medidas de busca e apreensão, especialmente pelo uso de mensagens citadas na apuração. Segundo a defesa, 'medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas'.
No entanto, a decisão judicial não se baseia apenas nesses elementos, mas considera um conjunto mais amplo de indícios reunidos pela Polícia Federal, como suspeitas de pagamento de vantagens indevidas, registros de transferências e benefícios financeiros, além de indícios da atuação do parlamentar em favor dos interesses do banco.
Os advogados ressaltaram ainda que esse tipo de medida 'merece a devida reflexão e controle severo de legalidade', afirmando que a discussão deverá chegar às Cortes Superiores 'muito em breve', em referência ao debate anterior sobre o uso de delações premiadas.
Ciro foi alvo de mandados de busca e apreensão na nova fase da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o Banco Master. Na decisão que autorizou a operação, o ministro Mendonça destacou que os investigadores apontam o senador como suposto 'destinatário central' de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao banco.
Entre os elementos citados pela Polícia Federal está uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), proposta apelidada nos bastidores do Senado de 'emenda Master'. Segundo a PF, mensagens apreendidas indicam que o texto teria sido elaborado dentro do banco e encaminhado ao senador. Em uma das conversas citadas na investigação, o banqueiro Daniel Vorcaro comemora a apresentação da proposta afirmando: 'Saiu exatamente como mandei'.
A emenda previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC, mecanismo que garante parte dos investimentos em caso de quebra de instituições financeiras. A proposta, contudo, não chegou a ser aprovada.
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