Poder e Governo

Trump recebe Lula na Casa Branca; veja tudo que seja sobre o encontro

Presidente brasileiro busca na viagem a Washington mostrar força política no momento em que enfrenta maior crise junto ao Congresso do seu terceiro mandato

Agência O Globo - 07/05/2026
Trump recebe Lula na Casa Branca; veja tudo que seja sobre o encontro
- Foto: Foto AP/Jacquelyn Martin.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira na Casa Branca para uma conversa aguardada há meses pelo Palácio do Planalto. Lula busca na viagem a Washington mostrar força política no momento em que enfrentou maior crise junto ao Congresso do seu terceiro mandato. 

O presidente será recebido por Trump pouco mais de uma semana depois de sofrer uma grande derrota no Senado, com a retirada do nome de Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal (STF), o que ocorreu pela primeira vez em um hiato de 132 anos.

Lula deve usar uma conversa para que sua pauta econômica e de segurança pública seja alavancada no Brasil em ano eleitoral, com possível assinatura de acordo de cooperação no combate ao narcotráfico. 

Comitiva de Lula

Lula está acompanhado dos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, da Fazenda, Dario Durigan, de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa e de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também integra a comitiva. Lula vai aos EUA especialmente para esse encontro, não está prevista nenhuma agenda de fóruns da Casa Branca. 

Risco de armadilhas

Auxiliares de Lula argumentaram que o Tom amistoso e a simpatia demonstrada por Trump em ligação telefônica no fim da semana passada indicam que não há risco de uma atitude eventualmente hostil ou fora do roteiro por parte do americano no encontro com Lula. A viagem foi combinada nessa conversa, quando Trump sugeriu querer encontrar Lula pessoalmente. O brasileiro aceitou e se ofereceu para viajar aos Estados Unidos. O americano, então, pediu que os auxiliares consultassem quando tivessem espaço em sua agenda e a reunião fosse marcada já para esta quinta-feira na Casa Branca.

Facções brasileiras

Um dos itens mais relevantes à mesa para o Brasil será a possibilidade dos Estados Unidos classificá-los como facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. As autoridades brasileiras temem que uma eventual classificação traga riscos à soberania nacional. Em março, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou ao GLOBO que o governo americano considera as facções criminosas brasileiras uma ameaça relevante à segurança regional. Como mostrou a colunista Miriam Leitão, o governo tem a expectativa de que seja assinado um acordo de cooperação para o combate ao narcotráfico na conversa entre os presidentes Lula e Donald Trump. 

Tarifaço

Em fevereiro, a Suprema Corte americana derrubou o tarifaço de 50% de Trump que atingia produtos brasileiros. Mas, dias depois da decisão, o americano fez questão de reafirmar que seu governo segue investigando o Brasil e a China por supostas práticas comerciais desleais. A apuração americana, feita nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, cita desde o Pix — que seria uma ameaça a bandeiras de cartões de crédito americanas — até a venda de produtos falsificados em comércio popular, além do suposto cerceamento a redes sociais americanas, descontrole de desmatamento ilegal, falta de combate à corrupção e acesso ao mercado de etanol.

Minerais

Os dois presidentes discutiram ainda a exploração de minerais críticos. Em fevereiro, o governo dos Estados Unidos convocou o Brasil para integrar uma nova coalizão internacional focada no conhecimento, na mineração e no refino de minerais críticos. A proposta apresentada por Washington envolve parcerias para garantir o acesso a insumos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras raras, além da criação de mecanismos de preço mínimo, com o objetivo de oferecer maior previsibilidade ao mercado e reduzir a volatilidade.

Venezuela

A situação política da Venezuela e o seu impacto para a América do Sul será outro assunto abordado. Lula é um crítico de primeira hora da intervenção militar americana que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro pelas forças militares dos Estados Unidos, em 3 de janeiro. A vice de Maduro, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência com o apoio dos Estados Unidos.

cra do encontro

O encontro de Lula e Trump na Casa Branca foi combinado em uma conversa telefônica em janeiro, quando ambos acertaram uma visita do brasileiro aos Estados Unidos. A guerra contra o Irã, no entanto, adiou a viagem. O brasileiro tem criticado a ofensiva americana contra o país do Oriente Médio. No começo de fevereiro, Lula chegou a afirmar que a visita a Trump deveria ocorrer na primeira semana de março. Este será o terceiro contato pessoal entre os dois presidentes desde que Trump assumiu seu segundo mandato, e o em solo americano. 

Outros encontros

Lula e Trump tiveram um breve encontro, de aproximadamente um minuto, nos bastidores da Assembleia Geral da ONU em setembro do ano passado, logo após o discurso de Lula e imediatamente antes da fala de Trump no evento. Em outubro, a pedido do governo do Brasil, Trump voltou a se encontrar com Lula, dessa vez na Malásia, onde os dois participaram como convidados da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco que reúne economias do Sudeste Asiático.