Poder e Governo

Aliados de Lula descartam risco de hostilidade em encontro com Trump

Presidente dos Estados Unidos telefonou para Lula e sugeriu reunião marcada para esta quinta-feira

Agência O Globo - 07/05/2026
Aliados de Lula descartam risco de hostilidade em encontro com Trump
- Foto: © ANSA/AFP

Interlocutores do governo avaliaram que o tom amistoso e a simpatia demonstrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante ligação telefônica no fim da semana passada, indicam que não há risco de uma atitude hostil ou fora do protocolo por parte do americano no encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agendado para esta quinta-feira em Washington. Os dois chefes de Estado combinaram a viagem durante uma conversa.

A iniciativa da ligação partiu de Trump , que manifestou o desejo de se encontrar pessoalmente com o presidente do Brasil. Lula aceitou o convite e se dispôs a viajar aos Estados Unidos. Trump, então, solicitou que seus assessores verificassem a disponibilidade em sua agenda e a reunião fosse rapidamente marcada para a Casa Branca, em um prazo incomum para reuniões presidenciais.

Segundo fontes que tiveram acesso aos relatos de ligação, Trump demonstrou simpatia e respeito por Lula. No entanto, neste segundo mandato do americano, já ocorreram episódios de tensão em visitas de outros presidentes à Casa Branca. Em fevereiro de 2025, Trump elevou o Tom com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusando o governo de Kiev de “jogar com a Terceira Guerra Mundial”. Zelensky acabou praticamente expulso da Casa Branca.

Em maio do mesmo ano, Trump preparou uma situação constrangedora para o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, ao exibir um vídeo e alegar a existência de um "genocídio branco" no país. O episódio gerou discussão acalorada, e o americano menosprezou Ramaphosa, conhecido por sua luta contra o apartheid.

Quando a visita de Lula aos Estados Unidos começou a ser cogitada, em janeiro, membros do governo brasileiro mantinham uma avaliação crítica sobre a dinâmica da administração Trump, que "impõe limites claros à previsibilidade". O entendimento era que as decisões tomadas no alto escalonamento eram frequentemente impactadas por disputas internas, representando um fator de risco.