Poder e Governo

'Não tenho que esperar nada do governo', afirma Alcolumbre após derrota de Messias no Senado

Presidente do Senado evita sinalizar reaproximação com Lula após rejeição de indicado ao STF

Agência O Globo - 06/05/2026
'Não tenho que esperar nada do governo', afirma Alcolumbre após derrota de Messias no Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre - Foto: Carlos Moura/Agência Senado Fonte: Agência Senado

Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, reagiu nesta quarta-feira (data) ao ser questionado sobre suas expectativas em relação ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão do Senado, considerada uma das maiores derrotas políticas do terceiro mandato de Lula junto ao Congresso, intensificou a crise entre os Poderes.

Indagado sobre a possibilidade de algum gesto do Palácio do Planalto após a votação que barrou o advogado-geral da União, Alcolumbre foi enfático:

— Eu tenho que esperar alguma coisa? Não tenho que esperar nada.

Ao ser novamente questionado se acredita que Lula fará nova indicação ao STF ainda este ano, o senador repetiu:

— Não tenho que esperar nada.

A declaração ocorre enquanto o governo tenta reconstruir pontes. Os ministros José Múcio e José Guimarães já se reuniram com Alcolumbre em busca de reaproximação.

Jorge Messias, considerado um dos auxiliares mais próximos do presidente Lula, teve sua indicação rejeitada após meses de desgaste, adiamentos e articulações nos bastidores do Senado. A derrota foi vista pelo governo como um sinal de força de Alcolumbre e agravou o mal-estar entre o senador e o Palácio do Planalto.

Nos bastidores, aliados de Lula atribuem a Alcolumbre um papel central na articulação que levou à rejeição. Senadores relatam que o presidente do Senado não apenas se absteve de apoiar Messias, mas teria atuado contra a indicação, influenciando parlamentares de siglas como MDB, PSD, União Brasil e PP.

A crise se arrasta desde o ano passado, quando Lula indicou Messias ao STF sem consultar previamente Alcolumbre, que, reservadamente, defendia o nome de Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado, para a vaga.