Poder e Governo

Lula x Trump: tom amistoso em telefonema faz governo brasileiro descartar riscos em encontro

Presidente dos Estados Unidos ligou para o brasileiro no fim da semana passada

Agência O Globo - 06/05/2026
Lula x Trump: tom amistoso em telefonema faz governo brasileiro descartar riscos em encontro
- Foto: © Foto / Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

Interlocutores do governo avaliaram que o tom amistoso e a simpatia demonstradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante ligação telefônica no fim da semana passada, indicam que não há risco de uma atitude hostil ou fora do protocolo por parte do americano no encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para esta quinta-feira, em Washington. Os dois líderes acertaram a viagem durante uma conversa.

A iniciativa da ligação partiu de Trump, que manifestou interesse em se reunir pessoalmente com o presidente do Brasil. Lula aceitou o convite e se dispôs a viajar aos Estados Unidos. Trump, então, pediu que os assessores verificassem sua agenda, e a reunião foi marcada para quinta-feira na Casa Branca — um prazo incomum para reuniões entre chefes de Estado.

Segundo relatos de pessoas próximas à conversa, Trump demonstrou simpatia e respeito por Lula. No atual mandato do americano, já ocorreram episódios de tensão durante visitas de outros presidentes à Casa Branca. Em fevereiro de 2025, Trump elevou o Tom com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusando o governo de Kiev de “jogar com a Terceira Guerra Mundial”. Zelensky acabou praticamente expulso da Casa Branca.

Em maio do mesmo ano, Trump armou uma situação constrangedora para o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, ao exibir um vídeo e alegar a existência de um “genocídio branco” no país. O episódio resultou em uma discussão áspera, e Trump também desmereceu Ramaphosa, que tem histórico de combate ao apartheid.

Quando a visita de Lula aos Estados Unidos começou a ser cogitada, em janeiro, membros do governo brasileiro avaliaram com cautela a dinâmica da administração Trump, que, segundo eles, “impõe limites claros à previsibilidade”. O entendimento era de que decisões tomadas em alta escala eram frequentemente impactadas por disputas internacionais, o que representava um fator de risco.