Poder e Governo
Lula aposta em parceria contra o crime para dissuadir Trump de classificar facções como terroristas
Autoridades brasileiras temem que a eventual classificação traga riscos à soberania nacional.
O combate ao crime organizado será um dos temas centrais na reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agendada para quinta-feira em Washington. O objetivo de Lula é demonstrar o compromisso do Brasil com o enfrentamento ao crime organizado e, assim, convencer Trump a evitar que o Departamento de Estado americano classifique como facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
Preocupação com a soberania nacional
As autoridades brasileiras avaliam que essa eventual classificação pode representar riscos à soberania do país. Para neutralizar o argumento americano, Lula pretende enfatizar o interesse brasileiro em atuar em parceria com os Estados Unidos no combate ao crime.
Acordo de cooperação em pauta
O governo brasileiro trabalha para que seja firmado um acordo de cooperação para o combate ao narcotráfico durante o encontro entre os dois líderes, conforme antecipou o vice-presidente Geraldo Alckmin em entrevista à GloboNews nesta terça-feira.
Críticas indiretas aos EUA
Nos últimos meses, Lula tem feito declarações demonstrando que os Estados Unidos também enfrentam desafios no combate ao crime. Segundo ele, "um dos grandes chefes do crime organizado, o maior desenvolvedor deste país", reside em Miami.
Sem citar nomes, Lula se refere ao empresário Ricardo Magro, proprietário do Grupo Refit, alvo de operação da Polícia Federal no final de novembro por envolvimento em esquema de sonegação fiscal no setor de combustíveis. Em discurso de dezembro, o presidente afirmou que, se os Estados Unidos quiserem ajudar o Brasil no combate ao crime, podem começar "aprendendo logo esse aí".
— Eu liguei para o Trump dizendo pra ele que se ele quiser enfrentar o crime organizado, nós estamos à disposição. E mandei para ele no mesmo dia a proposta do que queremos fazer. Disse para ele, inclusive, que um dos grandes chefes do crime organizado brasileiro, que é o maior desenvolvedor deste país, que é importador de combustível fóssil, mora em Miami. Então, se quiser, vamos ajudar logo esse aí — afirmou Lula na ajuda.
Repercussão política
A prisão de Magro, caso ocorre, seria um trunfo político para Lula em um momento de crise com o Congresso Nacional e de desvantagem numérica frente ao seu principal adversário nas eleições.
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