Poder e Governo
PF investiga suposto 'caixa 2' na campanha da filha do deputado Thiago Rangel
Ex-presidente da Alerj teria prometido R$ 2,9 milhões para apoiar candidatura em Campos dos Goytacazes, aponta investigação.
A Polícia Federal (PF) apura a existência de um suposto esquema de "caixa 2" envolvendo o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (PL), e o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), preso nesta terça-feira (data não informada). O valor prometido, segundo as investigações, seria de R$ 2,9 milhões para financiar a campanha da filha de Rangel a uma vaga na Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, além de beneficiar outros candidatos aliados.
A apuração faz parte da quarta fase da Operação Unha e Carne, que levou à prisão do parlamentar. De acordo com a PF, a suspeita de caixa dois é um dos elementos que sustentam a acusação de que Rangel atuaria como "braço político" de uma organização criminosa.
Segundo os investigadores, o deputado teria integrado, "na condição de liderança", um grupo especializado no direcionamento de contratos públicos de reformas em escolas estaduais para empresas que, posteriormente, repassariam parte dos recursos aos integrantes da própria organização, especialmente a Rangel.
A suspeita sobre o caixa 2 surgiu a partir da análise de conversas entre Rangel e Luiz Fernando Passos de Souza, apontado como operador financeiro do grupo e também alvo da operação desta terça-feira.
De acordo com a PF, Souza atuava como operador financeiro de Rangel desde a campanha de Thamires, filha do deputado, à vereança em 2024. A corporação destaca ainda que o relatório final da Operação Postos de Midas, aberta em 2024, levantou indícios de compra "escancarada" de votos durante a campanha, supostamente patrocinada, em parte, por Bacellar.
Após a eleição, Souza teria continuado a operar o esquema na Secretaria Estadual de Educação, recebendo valores desviados por meio de uma empresa registrada em nome de sua esposa, conforme apontam os investigadores. Segundo a PF, a empresa, uma casa de festas, teria facilitado o recebimento e repasse de recursos públicos desviados para Rangel.
A PF identificou diversas transferências entre a casa de festas e uma empresa cujo procurador é o próprio Rangel. Para a corporação, esses repasses indicam a existência de uma "ponte financeira" entre Rangel, como operador político, e Souza, suposto operador financeiro.
Procurada, a defesa de Thiago Rangel afirmou ter recebido com surpresa a notícia da operação e da prisão preventiva do deputado. "Neste momento, está se inteirando dos fatos, do teor da investigação e das medidas eventualmente determinadas, reafirmando desde logo a plena confiança nas instituições e no devido processo legal. O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação, local próprio para a apuração dos fatos. A defesa ressalta, por fim, que qualquer conclusão antecipada é indevida antes do conhecimento integral dos elementos que fundamentaram a medida", declarou em nota.
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