Poder e Governo
Impulsionamento de conteúdos com ataques cresce nas redes, apesar de proibição do TSE
Troca de acusações digitais é feita mais por parlamentares aliados do que por pré-candidatos aos governos estaduais
Partidos e pré-candidatos intensificaram o impulso de vídeos no Instagram e no Facebook para atacar adversários, mesmo antes do início oficial da campanha eleitoral, prevista para agosto. A prática, proibida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem sido adotada tanto por presidenciáveis quanto por candidatos às disputas estaduais, conforme levantamento realizado a partir da biblioteca de anúncios da Meta.
Disputa digital e impulsos
De acordo com os dados, a conta nacional do PL impulsionou 18 publicações entre janeiro e abril deste ano. Desses conteúdos, cinco trazem acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre as postagens, destaca-se um vídeo promovido para maior alcance entre 20 de fevereiro e 7 de março, que afirma que o petista “foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, já (Jair) Bolsonaro não foi condenado por crime algum”.
A declaração faz referência aos processos da Operação Lava-Jato contra Lula, anulados pelo Supremo Tribunal Federal em 2021. Por outro lado, Jair Bolsonaro foi condenado pela Corte, no ano passado, a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Outros anúncios buscam associar Lula ao caso Master e os descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, além de críticas quanto ao aumento de impostos.
PT também recorre a impulsionamentos
O PT, por sua vez, impulsionou, no mesmo período, 17 conteúdos, dos quais sete direcionaram ataques a Flávio Bolsonaro ou a seu pai, a maioria relacionada ao Pix. "Os Estados Unidos querem acabar com o nosso Pix. E sabe quem é o aliado de Trump aqui no Brasil? Flávio Bolsonaro", afirma um dos vídeos.
Judiciário reage à antecipação da campanha
Casos como esses já se espalharam pelos estados e começaram a chegar à Justiça Eleitoral. A troca de acusações digitais, no entanto, ocorre menos entre os pré-candidatos aos governos, sendo delegada principalmente a parlamentares aliados. Na semana passada, por exemplo, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou a remoção de vídeos do deputado estadual Antonio Donato (PT) que criticou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) pela implementação do pedágio “free flow” nas rodovias e exaltou Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo paulista, por entender que os conteúdos configuravam propaganda eleitoral antecipada.
Impulsão negativa é proibida
O impulso de conteúdos com viés negativo contra adversários contrários às normas do TSE. “O impulso de conteúdo negativo é proibido porque pode ser considerado como uma propaganda eleitoral antecipada negativa”, explica o advogado Eduardo Damian, professor de Direito Eleitoral na Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro.
Procurados, PL e PT não se manifestaram. O TSE, por sua vez, informou que “a interpretação e a aplicação das normas eleitorais” ocorrem nos processos “regularmente submetidos ao Judiciário, com decisão fundamentada” pelos magistrados e “sob controle público”.
A Meta afirmou que, “desde 2018, anúncios políticos no Facebook e no Instagram no Brasil são identificados e há a exigência de verificação da identidade dos anunciantes”.
Governo federal lidera gastos com impulso
O repositório de dados também aponta o governo federal como o maior anunciante em impulso de conteúdo, com mais de R$ 15 milhões investidos desde o início deste ano. Entre as postagens, destacam-se divulgações do projeto para acabar com a escala de trabalho 6x1 e de programas sociais como o Pé-de-Meia.
(*Estagiárias sob supervisão de Marlen Couto)
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