Poder e Governo

Renan Calheiros nega traição a Lula e reafirma voto em Messias para o STF

Senador rebate especulações após rumores de que MDB e PP teriam rejeitado indicação do Advogado-Geral da União ao Supremo

Agência O Globo - 30/04/2026
Renan Calheiros nega traição a Lula e reafirma voto em Messias para o STF
Renan Calheiros

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) negou nesta quinta-feira (dados) ter traído o governo Lula ou votado contra a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração surgiu após especulações de que parlamentares do MDB e do PP, partidos de centro que ocuparam cargos na Esplanada dos Ministérios nos últimos três anos, foram eliminados a nomeação do Advogado-Geral da União (AGU).

"São improcedentes as ilações sobre o MDB e mentirosas as especulações sobre o meu voto, dos senadores Renan Filho e Eduardo Braga. Trabalhamos e votamos em Jorge Messias. Derrotas devem ensinar e não gerar efeitos lisérgicos vindos do cavalo de Tróia dentro do governo", escreveu Calheiros na rede social.

Messias obteve 34 votos pretendidos e 42 contrários na votação do Senado realizada na noite de quarta-feira. Para ser aprovado, solicitei o apoio de pelo menos 41 dos 81 senadores, a maioria absoluta — faltaram sete votos para a confirmação da indicação.

Nos bastidores, os parlamentares destacaram a proximidade de membros da bancada do MDB com o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, que também foi cotado para uma vaga no STF.

Auxiliares do presidente Lula atribuem uma derrota no Senado a uma articulação do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), contra Messias. Considerado inicialmente um dos pilares da governabilidade do governo Lula 3, Alcolumbre se distanciou do Planalto e passou a criticar publicamente o governo federal após Lula optar por Messias em vez de Rodrigo Pacheco (PSB-MG), aliado de primeira hora do presidente do Senado, para a vaga no Supremo.

De acordo com relatos ao jornal O Globo, quatro senadores afirmaram sob reserva que Alcolumbre teria atuado junto aos parlamentares do centro, da oposição e indecisos, incentivando votos contrários à indicação de Messias. A assessoria de imprensa de Alcolumbre, no entanto, negou qualquer ação nesse sentido.

Messias foi indicado por Lula há mais de cinco meses, mas causou resistências tanto da oposição quanto da cúpula do Senado, especialmente de Alcolumbre. Mais cedo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias recebeu 16 votos em uma sabatina marcada pela apreensão dos governantes diante da incerteza sobre sua aprovação.