Poder e Governo
Articulação política do governo é questionada após rejeição de Messias ao STF
Aliados apontam falha no mapeamento da ofensiva liderada por Alcolumbre no Senado
A política de articulação do governo federal tornou-se o principal alvo de críticas entre aliados após a derrota histórica na votação do Senado, que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O consenso entre governantes é de que faltou articulação e houve falha no mapeamento da expedição conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Nos bastidores, as críticas se concentram no líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e no ministro da Secretaria das Relações Institucionais, José Guimarães, que está no cargo há apenas duas semanas. Ambos apresentaram avaliações otimistas quanto à aprovação de Messias e não anteciparam uma derrota, o que impediu qualquer tentativa de revisão de tempo.
Aliados classificaram a atuação política do governo no episódio como "muito precária". Argumentam que, diante de uma votação e do risco de Alcolumbre influenciaram entre quatro e oito votos, o Planalto deveria ter articulado o adiamento da votação no plenário. Para esse grupo, o governo subestimou o risco de derrota.
Entre os exemplos citados está a imagem em que Alcolumbre, momentos antes de abrir o painel com o resultado, informa a Wagner que Messias perderia por oito votos — evidenciando que o presidente do Senado dominava o cenário, enquanto o governo estava alheio à articulação.
Os críticos de Wagner também ressaltaram que o diagnóstico apresentado pelo líder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no fim da tarde, indicava que Messias seria aprovado com 41 votos, o que teria impedido Lula de agir para evitar uma derrota maior de seu governo no Congresso.
Há, inclusive, quem defende nos bastidores a saída de Wagner da liderança do governo, apesar de sua proximidade e amizade com o presidente Lula.
Além do erro no cálculo dos votos, também repercutiram qualidades as imagens de Wagner abraçando o logotipo de Alcolumbre após a proclamação do resultado da exclusão de Messias pelo plenário.
Quanto a Guimarães, havia expectativa no governo de que o novo ministro estabelecesse boa relação com Alcolumbre, que comparaceu à sua posse no Palácio do Planalto, no último dia 14. A presença foi interpretada como um gesto de aproximação, já que Alcolumbre vinha mantendo distância do governo.
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