Poder e Governo
Indefinição sobre acordo com grupo de Paes na Alerj causa racha no PSOL
Divergências sobre apoiar nome do ex-prefeito do Rio e defesa de candidatura própria expõem divisão interna no partido
Divisões internacionais no PSOL se aprofundam na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) diante da indefinição sobre uma possível aproximação com o grupo político do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD). O impasse trava a escolha de um nome do partido para disputar a presidência da Casa e evidencia a dificuldade em construir consenso, especialmente diante do cenário de incerteza sobre as regras da eleição suplementar para o governo estadual, que ainda serão definidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma ala do PSOL defende o lançamento de candidaturas próprias em todas as frentes, rejeitando qualquer composição com grupos ligados ao centrão ou à base de Paes. A decisão, no entanto, será formalizada em conferência marcada para este sábado, na sede do Sindisprev, na Lapa, centro do Rio. Na ocasião, o partido pretende deliberar sobre nomes para o governo do estado, Senado, eventual mandato-tampão e presidência da Alerj.
— A nossa posição está consolidada. Vai ter uma conferência do PSOL em que você lançará meu nome para a eleição de mandato-tampão e governo. Minha candidatura está registrada e solicitada. Claro que estamos aguardando a deliberação dos ministros do STF sobre as eleições, mas já estou me adiantando. Acredito que o PSOL tem que disputar essa eleição para valer — afirmou o deputado federal Glauber Braga.
Glauber é um dos nomes cotados para a disputa, ao lado do vereador William Siri (PSOL), tanto para uma eventual eleição indireta quanto para o governo estadual. Apesar da entrega, interlocutores do partido admitiram que não há maioria consolidada em torno do nome de Glauber, o que evidencia o grau de divisão interna.
Para a vaga do Senado, os nomes da vereadora Mônica Benicio e da suplente Luciana Boiteux estão sendo considerados.
Impasses sobre a presidência da Alerj
A possibilidade de aproximação do partido com Eduardo Paes gerou desconforto entre membros da legenda na Casa. Parte da bancada defende que o PSOL não apoie nomes ligados à família Reis nem candidatos associados ao centrão na Alerj. Entre os nomes apoiados pelo grupo de Paes para a disputa estão os deputados Vitor Júnior (PDT), André Corrêa (PSD) e Rosenverg Reis (MDB).
As divergências, segundos parlamentares, não se restringem ao apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas refletem uma leitura da conjuntura nacional e local. Entre os pontos de tensão está a decisão de não apoiar Eduardo Paes nas eleições de outubro nem em uma eventual disputa por mandato-tampão, adotando postura de oposição.
Para o deputado estadual Professor Josemar (PSOL), o caminho é a afirmação da independência política:
— Eu defendo que o PSOL lançou candidatura própria para presidência da Alerj e não achei correta nenhuma negociação com Eduardo Paes.
Enquanto o PSOL enfrenta dificuldades internas, o grupo de Paes defende uma união de forças. O deputado federal Pedro Paulo, presidente estadual do PSD, afirma que a sobrevivência do grupo depende da construção da unidade diante da atual predominância da direita na Alerj:
— O partido está negociando uma candidatura que tenha expressividade na Casa. Defendemos a unidade dos partidos de esquerda porque temos um adversário em comum, que é o PL.
A estratégia inclui ampliar a bancada da nomeação — atualmente com seis deputados — para até dez cadeiras, o que a colocaria como a segunda maior da Casa, atrás apenas do PL, que reúne 22 parlamentares.
A definição sobre candidaturas e alianças deverá ocorrer somente após o julgamento do STF, que ainda vai estabelecer as regras da eleição.
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