Poder e Governo
Flávio Bolsonaro acusa Lula de tratar o Brasil como 'colônia chinesa' em entrevista ao Financial Times
Pré-candidato à Presidência afirma que petista 'fecha as portas' para os EUA
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, criticou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por, segundo ele, tratar o Brasil como uma "colônia chinesa". Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, Flávio afirmou que Lula estaria sendo hostil com os Estados Unidos e favorecendo a China nas relações internacionais.
— O presidente Lula está errado em fechar as portas para os Estados Unidos e simplesmente abrir o Brasil como se fosse uma colônia chinesa — declarou o senador ao Financial Times.
Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro tem assumido papel de destaque na tentativa de retorno dos Bolsonaros ao poder, após seu irmão Eduardo, antes visto como herdeiro político, ter sido "expulso do Congresso". O Financial Times descreve Flávio como um pré-candidato "competitivo", que busca se diferenciar de Lula, provável principal adversário nas eleições de outubro.
— O Brasil precisa urgentemente de mudanças, de um governo mais jovem, moderno e com mais energia — disse Flávio. — O problema não é a idade de Lula, é que suas ideias estão ultrapassadas.
O veículo britânico ressaltou que Flávio adota um tom mais moderado do que o pai, Jair Bolsonaro, especialmente em temas como vacinação contra a Covid-19. No entanto, aponta semelhanças entre ambos, como posições de extrema-direita em temas sociais e de segurança, além de defesa de pautas econômicas de centro-direita e a convicção de que Jair Bolsonaro foi condenado injustamente.
O Financial Times também destacou que Flávio poderá enfrentar ataques durante a campanha, inclusive por conta de supostos pagamentos irregulares em seu gabinete na época em que era deputado no Rio de Janeiro, além de questionamentos sobre sua capacidade de resistir à pressão de uma disputa presidencial. A reportagem relembrou o episódio de sua candidatura à prefeitura do Rio em 2016, quando quase desmaiou durante um debate e acabou desistindo, ficando em quarto lugar.
Durante viagem aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro defendeu que o Brasil pode ser "a solução" para reduzir a dependência dos americanos em relação à China no fornecimento de terras-raras e minerais críticos.
— O Brasil é a solução para que os Estados Unidos não dependam mais da China em terras-raras e minerais críticos — afirmou o senador.
A declaração gerou críticas de aliados do governo, que acusaram Flávio de defender uma postura submissa aos interesses americanos. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que episódios como esse mostram que os adversários do governo não recuam de posições prejudiciais ao país. “Os vendilhões da pátria não tomam jeito”, escreveu em suas redes sociais.
A deputada Luciene Cavalcante (PSOL-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República para apurar possíveis crimes de atentado à soberania e à integridade nacional em razão das falas do senador.
O discurso de Flávio Bolsonaro, no qual também pediu monitoramento internacional das eleições brasileiras e fez críticas ao governo Lula, faz parte de sua estratégia de intensificar agendas no exterior para se projetar como principal nome da direita na disputa presidencial de 2026.
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