Poder e Governo
Recuos forçados ou estratégicos levam um quarto dos governadores a ficar no cargo até o fim do mandato
Enquanto parte abriu mão de candidaturas ao Senado, nomes como Ratinho Junior e Eduardo Leite abandonaram a corrida presidencial e buscam eleger sucessores nos estados
Um quarto dos governadores brasileiros optou por completar o mandato e não disputar novas cargas nesta eleição. O cenário em sete estados é marcado por recuos dos chefes do Executivo, seja por escolha das legendas no contexto nacional ou por estratégia para o pleito estadual. Enquanto aliados do presidente Luiz Inácio da Silva (PT), como Carlos Brandão (sem partido – MA) e Fátima Bezerra (PT –RN), abriram mão de candidaturas ao Senado, (PSD-PR) e (PSD-RS) abandonaram a corrida presidencial e buscaram sucessores no governo estadual.
Alagoas:
Em cinco anos no STF:
Entenda a situação em cada um dos sete estados:
Fátima Bezerra - Rio Grande do Norte
A governadora petista anunciou no mês passado. O movimento ocorreu após o rompimento com o vice Walter Alves (MDB). Ele havia anunciado em janeiro que renunciaria ao governo do Estado caso Bezerra deixasse a cadeira para concorrer ao Legislativo. Com isso, teria uma eleição indireta e Bezerra não teria maioria na Assembleia.
Em comunicado, Bezerra criticou Alves e afirmou haver um “movimento articulado para tirar o PT do Senado”:
“Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um Rio Grande do Norte governado pelo povo”, disse a governadora, que apoiará o secretário da Fazenda, Cadu Xavier, como candidato ao governo no pleito de outubro.
Carlos Brandão - Maranhão
Aliado de Lula, o governador abriu mão de disputar o Senado — movimento defendido pelo presidente— no fim do ano passado para não dar visibilidade ao vice Felipe Camarão (PT). Brandão optou por permanecer na cadeira e planeja usar a capilaridade no estado para buscar votos para o sobrinho, que é secretário de Assuntos Municipalistas no governo do tio e preside o MDB no Maranhão.
Já Camarão articula uma candidatura própria ao governo estadual. Outra possibilidade na mesa é o apoio do PT ao prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), caso uma aliança com a sigla de Kassab seja concretizada.
O estado é . O diz governador foi alvo de uma intervenção do grupo político ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, de quem o atual chefe do Executivo foi vice e serviu na cadeira.
Ratinho Júnior - Paraná
O governador do Paraná desistiu da candidatura presidencial no mês passado depois de considerar que estava com o futuro político ameaçado. Após indicar que aceitaria a candidatura, Ratinho Junior recuou de olho na sucessão no comando de seu estado.
O movimento ocorreu menos de uma semana depois que Flávio Bolsonaro decidiu que o PL apoiaria o senador Sergio Moro como candidato a governador do Paraná. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Moro se filiou à sigla bolsonarista e deve concorrer contra o secretário das cidades, Guto Silva (PSD), que deve ser o candidato do grupo de Ratinho.
Eduardo Leite - Rio Grande do Sul
O governador do Rio Grande do Sul anunciou, na semana passada, que . A decisão tomada após o PSD optar por Ronaldo Caiado como pré-candidato ao Palácio do Planalto.
A opção de continuar como governador se deu em meio às dificuldades de Leite em manter seu grupo no comando do estado. O gaúcho tenta emplacar o vice Gabriel Souza (MDB) para o governo, mas enfrenta forte disputa tanto da direita quanto da esquerda.
Paulo Dantas - Alagoas
O governador de Alagoas decidiu permanecer no cargo para auxiliar a campanha do ex-ministro Renan Filho (MDB) ao Executivo estadual.
Marcos Rocha - Rondônia
O governador optou por permanecer no cargo após desgaste com o vice Sérgio Gonçalves. No ano passado, Gonçalves acionou o Judiciário estadual para tentar recuperar o direito de substituir o governador durante viagens internacionais. Dias antes, a base governamental havia aprovado uma emenda que permitia ao governador se ausentar do país sem deixar a cadeira.
Gonçalves desejava ser o nome apoiado por Rocha como sucessor na eleição em Rondônia, movimento que não ocorreu. O governador, que deixou a União Brasil e se filiou ao PSD no início do ano, deve apoiar o correligionário Adailton Fúria na disputa pelo Executivo estadual.
Wanderlei Barbosa - Tocantins
O governador do Tocantins confirmou, na semana passada, que cumpriria o mandato até o fim. Wanderlei Barbosa (Republicanos) é julgado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em processo que apura irregularidades na compra de cestas básicas especificadas para a área social — ele chegou a ser afastado da carga. A permanência na cadeira garante foro privilegiado até o final de 2026 e auxilia na campanha de sucessão.
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