Poder e Governo

Recém-filiada ao PSD no Paraná, Cristina Graeml declara apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro

Ex-candidata bolsonarista à prefeitura de Curitiba foi anunciada nesta semana como nova integrante do partido do governador, que rivalizará com o senador Sergio Moro na eleição estadual

Agência O Globo - 03/04/2026
Recém-filiada ao PSD no Paraná, Cristina Graeml declara apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro
Cristina Graeml

Filiada nesta semana ao PSD pelo governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), a jornalista Cristina Graeml declarou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A manifestação foi feita em suas redes sociais após críticas de apoiadores e aliados devido ao alinhamento com Ratinho. No estado, o governador pretende lançar um candidato para sua sucessão e enfrentar o senador Sergio Moro (PL-PR), que conta com o apoio de Flávio.

"Nada mudou, Flávio Bolsonaro é o meu pré-candidato à Presidência da República", afirmou Cristina na legenda de uma foto ao lado do senador. Nos comentários, o deputado federal André Fernandes (PL-CE) sugeriu que ela repensasse sua decisão e aceitasse um convite para se filiar ao PL: "Você será uma grande deputada federal e nossos amigos Filipe Barros (PL-PR) e Deltan Dallagnol (Novo-PR) serão grandes senadores."

No PSD, Cristina é cotada para disputar o Senado ou compor uma chapa como vice para a sucessão de Ratinho, que recentemente desistiu de concorrer a cargos nacionais para focar na organização de seu grupo político no estado. Nacionalmente, após a saída de Ratinho da disputa, o PSD decidiu lançar o governador Ronaldo Caiado como candidato à Presidência, concorrendo com Flávio pelo eleitorado de direita.

Quem é Cristina Graeml?

Em 2024, Cristina concorreu à prefeitura de Curitiba pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB) e chegou ao segundo turno com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que autorizou o uso de sua imagem na campanha. Na ocasião, a decisão de Bolsonaro contrariou o diretório estadual do PL, que apoiava Eduardo Pimentel, então candidato à sucessão do prefeito Rafael Greca (ex-PSD, agora no MDB).

Após ser derrotada por Pimentel no segundo turno, Cristina deixou o PMB e já planejava disputar as eleições de 2026. No ano passado, chegou a se filiar ao União Brasil, diante da possibilidade de compor com Sergio Moro e de se lançar ao Senado, mas agora migrou para o PSD.

No novo partido, Cristina passa a integrar a base de Ratinho, que deve escolher um candidato para enfrentar Moro. Entre os nomes cogitados, o secretário das Cidades, Guto Silva, é o favorito, embora parte da base questione sua competitividade nas pesquisas. Outra alternativa foi o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, que se filiou ao Republicanos para lançar candidatura própria diante da indefinição do PSD. Rafael Greca também teve seu nome ventilado, mas ao migrar para o MDB reduziu as chances de ser escolhido.

Nas últimas semanas, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), também foi citado como possível candidato, mas negou interesse durante agenda oficial na capital. Para concorrer, Pimentel teria que se desincompatibilizar do cargo até amanhã, deixando a prefeitura nas mãos do vice-prefeito Paulo Martins (Novo), aliado do grupo de Moro.

“Tenho um compromisso com o povo curitibano. Fico feliz pelo meu nome ser lembrado, mas não houve convite formal. Estou entregando o meu plano de governo e vou ficar na gestão”, declarou Pimentel.