Poder e Governo

Relator da PEC da Segurança, Mendonça Filho deixa União Brasil após mais de 40 anos e se filia ao PL

Decisão foi tomada pelo ex-ministro da Educação após desgastes na sigla, sobretudo diante da formalização da federação da legenda com o PP

Agência O Globo - 01/04/2026
Relator da PEC da Segurança, Mendonça Filho deixa União Brasil após mais de 40 anos e se filia ao PL
Mendonça Filho - Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O deputado federal Mendonça Filho (PE) anunciou nesta quarta-feira sua saída do União Brasil, encerrando um ciclo de mais de quatro décadas, para se filiar ao PL. A decisão ocorreu após desgastes internos, especialmente com a formalização da federação entre União Brasil e PP, aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no mês passado.

A saída foi comunicada por Mendonça Filho ao presidente nacional da sigla, Antônio Rueda, e ao vice-presidente, ACM Neto, por meio de carta. Segundo o deputado, a mudança "é fruto de uma reflexão madura e do desejo de seguir novos caminhos, sempre fiel ao propósito de trabalhar pelo povo e defender os interesses de Pernambuco e do Brasil".

A filiação ao PL ocorreu a convite do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e do senador Rogério Marinho. Em encontro com Flávio, com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o presidente estadual Anderson Ferreira, Mendonça reforçou sua postura de oposição ao PT em Pernambuco.

— Sigo como uma voz de oposição ao PT e defendendo o funcionamento das instituições democráticas, com a separação de poderes e o respeito à Constituição Federal — declarou Mendonça Filho, que atua como relator da PEC da Segurança na Câmara.

O parlamentar, pré-candidato à reeleição, era considerado por Flávio Bolsonaro como potencial nome para disputar o Senado. Essa possibilidade foi registrada em anotações do senador durante reuniões na sede do PL.

Desafio em Pernambuco

Enquanto o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é disputado pelos principais candidatos ao governo de Pernambuco, Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para consolidar uma chapa no estado. Essas barreiras surgiram após um racha no diretório estadual do PL, que levou à desfiliação do ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, em janeiro deste ano.

O PL de Pernambuco é atualmente comandado pelo ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, que conta com o apoio do irmão, deputado federal André Ferreira, e o aval de Valdemar Costa Neto. Anderson assumiu o comando após Machado ser preso, em julho do ano passado, acusado de tentar emitir um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid — condenado por envolvimento em trama golpista — e de auxiliar um plano de fuga para o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A saída de Gilson Machado do PL ocorreu porque ele não encontrou espaço para concorrer ao Senado, vaga que pode ser ocupada por Anderson Ferreira, atualmente sem cargo em Brasília, numa estratégia da sigla para atrair o voto conservador no estado. Machado se filiou ao Podemos no mês seguinte, anunciou candidatura à Câmara e fez críticas à antiga legenda.

Anotações de Flávio Bolsonaro, divulgadas em fevereiro, mostram o interesse do PL em formar uma chapa com Raquel Lyra (PSD), atual governadora de Pernambuco. Entretanto, aliados de Lyra rejeitam a possibilidade de aliança. O PL chegou a integrar a gestão Lyra, mas a parceria foi desfeita. No governo, há o entendimento de que o partido de Bolsonaro está dividido no estado e tem pouca capilaridade, o que dificultaria benefícios eleitorais para a campanha de reeleição de Lyra. Ela deve enfrentar o prefeito do Recife, João Campos (PSB), líder nas pesquisas.

Os registros de Flávio também apontam interesse em apoiar ao Senado o ex-prefeito de Petrolina e atual presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho.