Poder e Governo

Moraes decreta prisão de filho de ex-prefeito do Rio acusado de comandar vazamento de dados de ministros

Marcelo Paes Fernandez Conde é considerado foragido e teria comprado dados sigilosos com pagamentos em espécie de R$ 4,5 mil

Agência O Globo - 01/04/2026
Moraes decreta prisão de filho de ex-prefeito do Rio acusado de comandar vazamento de dados de ministros
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva do empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, sob a acusação de adquirir dados fiscais de ministros da Corte. Segundo as investigações, Conde seria o mandante de um esquema que acessou indevidamente informações de integrantes do STF, do procurador-geral da República Paulo Gonet e de seus familiares. O empresário está foragido.

Depoimentos colhidos pela Polícia Federal apontam que Conde forneceu listas de CPFs à estrutura investigada e efetuou pagamentos em espécie, no valor de R$ 4,5 mil, para acessar as declarações fiscais obtidas de forma ilícita.

A ordem de prisão faz parte da Operação Exfil, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal. Os agentes cumpriram seis mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Conde no Rio de Janeiro e em São Paulo. O material apreendido será periciado para confirmar a negociação dos valores e a atuação do grupo.

De acordo com o inquérito, foram identificados múltiplos acessos ilegais ao sistema da Secretaria da Receita Federal, visando a obtenção de dados de ministros e o posterior vazamento dessas informações. A Procuradoria-Geral da República informou que dados de 1.819 contribuintes foram acessados, incluindo pessoas vinculadas a ministros do STF, do TCU, deputados federais, ex-senadores, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras e empresários.

A investigação revela que os dados sigilosos teriam sido extraídos dos sistemas do Fisco e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). A Polícia Federal identificou uma "cadeia de intermediação estruturada", que envolvia servidores públicos, funcionários terceirizados, despachantes e intermediários.

Ao autorizar a operação, Moraes destacou que as buscas eram essenciais para a "reconstrução das cadeias de eventos e identificação de outros possíveis envolvidos". A Polícia Federal ressaltou que as mensagens trocadas entre os investigados poderiam "evidenciar a extensão da atuação" de Conde.

Além das buscas domiciliares e pessoais, foi autorizado o afastamento do sigilo telemático dos aparelhos apreendidos, permitindo a extração forense de dados que possam comprovar a negociação de valores e a eventual continuidade das práticas criminosas.