Poder e Governo
Cristina Graeml se filia ao PSD e ingressa em grupo político de Ratinho Jr contra Moro no PR
Ex-candidata bolsonarista à prefeitura de Curitiba antes fazia parte do União Brasil e expressava a intenção de integrar composição do senador para disputar o governo do estado
A jornalista Cristina Graeml anunciou a filiação ao PSD em um vídeo publicado nas redes sociais ao lado do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD). O mandatário abriu recentemente mão da candidatura ao Planalto para solucionar sua sucessão no estado e conter o avanço do senador Sergio Moro (PL), lançado como palanque do bolsonarismo no estado. Cristina passou a integrar o grupo político do governador após ter enfrentado em 2024 o candidato apoiado por Ratinho na disputa pela prefeitura de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), que saiu eleito.
— Hoje, com muita alegria, eu fiz o convite para Cristina Graeml para que ela pudesse vir para o PSD nos ajudar a pensar o Paraná do futuro, mas, acima de tudo, já trabalhei o presente — disse o governador na gravação. — Já há alguns dias a gente tem conversado bastante sobre o Paraná, o Brasil e o futuro e tudo aquilo que nos une, que são os valores da família, liberdade econômica, propriedade privada, liberdade de imprensa e o nosso estado.
Em resposta, no vídeo, Cristina agradece a oportunidade, diz que a política "ainda é novidade" para ela e reconhece que os dois "já estiveram em eleições nas eleições legislativas", mas afirma a necessidade de "construir alianças". Em 2024, ela concorreu à prefeitura de Curitiba pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB) e chegou ao segundo turno com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que autorizou a candidatura a usar sua imagem na campanha.
A decisão do ex-mandatário foi colaborar à atuação do diretor estadual do PL, que, na época, fez parte da coligação de Pimentel, que concorda como sucessor do então prefeito Rafael Greca (antes no PSD, mas agora está no MDB). Ao final do pleito, Cristina foi derrotada por Pimentel e anunciou a saída do PMB, já com planos para concorrer em 2026. No ano passado, ela chegou a se filiar ao União Brasil, diante da possibilidade de uma futura composição com Moro e da pretensão de se lançar como candidatura ao Senado, mas agora trocou a sigla pelo PSD.
No novo partido, ela tem sido cotada para concorrer ao Senado ou à vice em uma chapa organizada para a sucessão de Ratinho. O governador abriu mão da candidatura à Presidência pelo PSD para organizar seu grupo político no estado e escolher um candidato que disputará o governo. Entre os que têm sido considerados, o secretário das Cidades, Guto Silva, é visto como o favorito, mas se preocupa parte da base por não despontar nas pesquisas de intenção de voto como competitivo contra Moro.
Outra opção considerada foi o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), que já sinalizou que poderá migrar para os Republicanos para lançar uma candidatura própria caso não seja o escolhido por Ratinho. Além deles, Greca teve o nome ventilado em função de sua popularidade na capital, mas trocou recentemente o PSD pelo MDB, movimento que reduz as chances de ser o escolhido.
Em paralelo, o nome de Pimentel passou uma circular nas últimas semanas como um candidato que teria a preferência do governador. No entanto, para sair candidato, ele tem que se descompatibilizar a carga até o próximo sábado (04/07), data-limite da descompatibilização, e abrir mão da prefeitura ainda no primeiro mandato. Com isso, ele deixaria a capital sob o comando do vice-prefeito, Paulo Martins, filiado ao Novo, partido que apoia Moro.
Articulações de Moro e disputa por base de Ratinho
Agora no PL, o senador indicará para o Senado o ex-deputado federal e ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol e o deputado federal Filipe Barros (PL-PR). Já a vice será ocupada pelo empresário Edson Vasconcelos, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e recém-filiado ao PL.
Nos últimos dias, já dentro da nova sigla, Moro teve títulos públicos com o ex-presidente do diretório estadual, o deputado federal Giacobo. Antes da entrada de Moro, o parlamentar chegou a se colocar como opção para concorrer ao governo do estado, mas foi rechaçado pela direção nacional. Na semana passada, Giacobo anunciou a saída do partido e a desfiliação conjunta de 48 dos 53 prefeitos ligados ao PL. O deputado agora planeja se juntar a uma sigla de direita da base do governador.
O anúncio gerou reações de Moro, que passou a afirmar que o parlamentar foi expulso do PL, e de outros membros do diretório estadual, que dizem que a sigla só recebeu, até o momento, um pedido formal de desfiliação. Interlocutores da sigla também afirmam que receberam relatos de que os prefeitos foram pressionados a deixar o PL sob a ameaça de cancelamento de convênios com o governo do estado, por articulação do grupo de Ratinho.
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