Poder e Governo
CPI do Crime Organizado vira novo front do caso Master após fim de comissão que investigava INSS
Coube ao grupo convocar o ex-governador Ibaneis Rocha e aprovar quebras de sigilo
A CPI do Crime Organizado aprovou na terça-feira uma série de movimentações que miram o Banco Master, ampliando a frente política da investigação sobre o caso. Entre as medidas chanceladas pelo colegiado, está a convocação do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) e a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e da empresa Prime You, que já teve o próprio Vorcaro como sócio.
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Saiba:
Em outras frentes, uma comissão também aprovou as convocações do ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e do desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do TRF-2. No caso de Castro, o pedido mira o ambiente de atuação do crime organizado em solo fluminense, com foco em financiamento e lavagem de dinheiro, especialmente no que diz respeito à chamada “narcomilícia”. Já Macário Neto foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito que apura suposto vazamento de informações ao Comando Vermelho (CV).
Destinada a apurar, sobretudo, a atuação de facções e quadrilhas de grande porte pelo país, a CPI do Crime Organizado deve se tornar, entre os congressistas, uma frente prioritária no que tange o escândalo do Mestre. Apesar de pelo menos quatro pedidos por uma comissão específica sobre o caso apresentado na Câmara e no Senado, três deles com uma quantidade mínima de adesões, a instalação de um grupo com esse fim não está no horizonte das cúpulas das duas Casas. Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou um pedido de prorrogação da CPMI do INSS, onde uma série de decisões também mirou o banco de Daniel Vorcaro.
Ex-governador na mira
No caso de Ibaneis, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do pedido, sustenta que a convocação está ligada às operações do escritório de advocacia fundada pelo ex-governador com fundos ao ecossistema investigado, incluindo cessões de créditos a estruturas ligadas à Reag e ao Banco Master, além de decisões relativas ao Banco de Brasília (BRB) na aquisição de instituições associadas. A CPI também aprovou a quebra de sigilo do fundo Laguz I após identificação de contratos milionários com o escritório.
Relatórios de inteligência apontam operações realizadas em 2023 que somam cerca de R$ 43 milhões em movimentações entre o escritório e o fundo, vinculadas à cessão de créditos judiciais. O Laguz I era à época administrada pela Reag.
O requisito prevê acesso a dados bancários, fiscais, telefônicos, telemáticos e relatórios do Coaf entre 2019 e 2026. A justificativa cita acusações de uso de artifícios para lavagem de dinheiro e aponta que o Laguz I aparece em comunicações de suspeitas associadas à Reag, investigada por inflar ativos e ocultar patrimônio no contexto do Banco Master.
Já o pedido de quebra de sigilo de Zettel havia sido feito inicialmente em 11 de março, mas foi reapresentado após o questionamento do STF sobre a validade das votações em bloco. A avaliação na cúpula do colegiado é de que refazer os requisitos de forma individualizada garanta a execução da medida.
Zettel é apontado por integrantes do CPI como um elo relevante na estrutura financeira ligada ao Banco Master. O requisito aprovado hoje cita que ele mantém conexões financeiras com fundos de investimento sob sua influência, com a gestora Reag e com o próprio Banco Master, em uma rede que pode ter sido usada para a circulação e ocultação de recursos.
A inclusão do Prime You no mesmo pacote segue essa mesma linha. A empresa era usada para administração de ativos de alto valor, como aeronaves e imóveis.
Campos Neto convocado
A CPI aprovou ainda requisitos de informação aos órgãos federais. O Banco Central deverá enviar dados sobre processos envolvendo o conglomerado Master, incluindo a atuação de servidores e a transferência de controle do Banco Máxima para Vorcaro e sócios.
Na sessão, estava prevista a oitiva de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. No entanto, ele informou, por meio do advogado, que não compareceu à CPI. Diante disso, foi apresentado e aprovado um requisito extrapauta de que a qualificação como testemunha e solicitação de uma nova convocação.
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