Poder e Governo

CPI do Crime Organizado vira novo front do caso Master após fim de comissão que investigava INSS

Coube ao grupo convocar o ex-governador Ibaneis Rocha e aprovar quebras de sigilo

Agência O Globo - 01/04/2026
CPI do Crime Organizado vira novo front do caso Master após fim de comissão que investigava INSS
CPI do Crime Organizado vira novo front do caso Master após fim de comissão que investigava INSS - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A CPI do Crime Organizado aprovou na terça-feira uma série de movimentações que miram o Banco Master, ampliando a frente política da investigação sobre o caso. Entre as medidas chanceladas pelo colegiado, está a convocação do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) e a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e da empresa Prime You, que já teve o próprio Vorcaro como sócio.

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Em outras frentes, uma comissão também aprovou as convocações do ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e do desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do TRF-2. No caso de Castro, o pedido mira o ambiente de atuação do crime organizado em solo fluminense, com foco em financiamento e lavagem de dinheiro, especialmente no que diz respeito à chamada “narcomilícia”. Já Macário Neto foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito que apura suposto vazamento de informações ao Comando Vermelho (CV).

Destinada a apurar, sobretudo, a atuação de facções e quadrilhas de grande porte pelo país, a CPI do Crime Organizado deve se tornar, entre os congressistas, uma frente prioritária no que tange o escândalo do Mestre. Apesar de pelo menos quatro pedidos por uma comissão específica sobre o caso apresentado na Câmara e no Senado, três deles com uma quantidade mínima de adesões, a instalação de um grupo com esse fim não está no horizonte das cúpulas das duas Casas. Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou um pedido de prorrogação da CPMI do INSS, onde uma série de decisões também mirou o banco de Daniel Vorcaro.

Ex-governador na mira

No caso de Ibaneis, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do pedido, sustenta que a convocação está ligada às operações do escritório de advocacia fundada pelo ex-governador com fundos ao ecossistema investigado, incluindo cessões de créditos a estruturas ligadas à Reag e ao Banco Master, além de decisões relativas ao Banco de Brasília (BRB) na aquisição de instituições associadas. A CPI também aprovou a quebra de sigilo do fundo Laguz I após identificação de contratos milionários com o escritório.

Relatórios de inteligência apontam operações realizadas em 2023 que somam cerca de R$ 43 milhões em movimentações entre o escritório e o fundo, vinculadas à cessão de créditos judiciais. O Laguz I era à época administrada pela Reag.

O requisito prevê acesso a dados bancários, fiscais, telefônicos, telemáticos e relatórios do Coaf entre 2019 e 2026. A justificativa cita acusações de uso de artifícios para lavagem de dinheiro e aponta que o Laguz I aparece em comunicações de suspeitas associadas à Reag, investigada por inflar ativos e ocultar patrimônio no contexto do Banco Master.

Já o pedido de quebra de sigilo de Zettel havia sido feito inicialmente em 11 de março, mas foi reapresentado após o questionamento do STF sobre a validade das votações em bloco. A avaliação na cúpula do colegiado é de que refazer os requisitos de forma individualizada garanta a execução da medida.

Zettel é apontado por integrantes do CPI como um elo relevante na estrutura financeira ligada ao Banco Master. O requisito aprovado hoje cita que ele mantém conexões financeiras com fundos de investimento sob sua influência, com a gestora Reag e com o próprio Banco Master, em uma rede que pode ter sido usada para a circulação e ocultação de recursos.

A inclusão do Prime You no mesmo pacote segue essa mesma linha. A empresa era usada para administração de ativos de alto valor, como aeronaves e imóveis.

Campos Neto convocado

A CPI aprovou ainda requisitos de informação aos órgãos federais. O Banco Central deverá enviar dados sobre processos envolvendo o conglomerado Master, incluindo a atuação de servidores e a transferência de controle do Banco Máxima para Vorcaro e sócios.

Na sessão, estava prevista a oitiva de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central. No entanto, ele informou, por meio do advogado, que não compareceu à CPI. Diante disso, foi apresentado e aprovado um requisito extrapauta de que a qualificação como testemunha e solicitação de uma nova convocação.