Poder e Governo

Governistas do MDB demonstram insatisfação por Lula não ter feito proposta formal para compor chapa à reeleição

Presidente confirmou que Geraldo Alckmin vai disputar novamente o cargo

Agência O Globo - 01/04/2026
Governistas do MDB demonstram insatisfação por Lula não ter feito proposta formal para compor chapa à reeleição
Governistas do MDB demonstram insatisfação por Lula não ter feito proposta formal para compor chapa à reeleição - Foto: Ricardo Stuckert / PR

O núcleo do MDB mais próximo do governo declarou insatisfação com o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ter se mobilizado e feito um convite formal para a sigla ocupar a vaga de candidato a vice-presidente. Esse grupo entende que o gesto seria necessário para garantir um acordo que fez a sigla estar formalmente na coligação da campanha do petista. 

O entendimento dessa ala é que a legenda não tinha como ponderar um embarque na campanha de reeleição sem ter sido chamada pelo presidente para discutir o assunto de forma clara.

O caminho traçado como mais provável dentro da legenda é que o partido adote uma neutralidade e libere os estados para fazerem alianças com os candidatos ao presidente que desejarem. Em São Paulo, por exemplo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) apoia Flávio Bolsonaro (PL) para o Palácio do Planalto.

Auxiliares de Lula relatam que nunca houve uma costura formal com o MDB para que uma chapa de fato saísse do papel, exceto pelo fato de Lula ter indicado isso em uma reunião com os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Renan Calheiros (MDB-AL) no fim do ano passado.

Os Emedebistas mais próximos do governo fazem uma comparação da tentativa de aliança com um relacionamento amoroso. Eles apontam que se Lula quisesse um compromisso sério com o partido, teria feito um pedido formal para “namorar a legenda”, mas como isso não aconteceu.

Assim, a sigla se vê livre para não dar suporte à campanha que será encabeçada pelo PT e somente estar nas alianças estaduais que julgarem convenientes. 

Governistas do partido viam como um gesto para ter o MDB na aliança um convite para que a sigla ocupasse a vice em uma eventual nova gestão de Lula. O presidente chegou a revelar publicamente mais de uma vez que o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB, poderia sair do cargo, mas nesta terça-feira ele confirmou, durante reunião ministerial, que o vice não será alterado.

Para parte do MDB, a ausência de um gesto político mais direto do presidente indica que o governo trabalha com um cenário mais pragmático no sentido de garantir, pelo menos, a neutralidade do MDB na disputa. 

Do lado mais ideologicamente próximo de Lula, havia um entendimento de que o partido também não deu abertura para uma aproximação. O MDB é diverso e abrigou diversos líderes regionais com influência e autonomia em relação às alianças nos estados. 

Em um sinal que demonstra distanciamento com o petista, o presidente do MDB, Baleia Rossi, atuou para impedir que Simone Tebet, que era ministra do Planejamento, concorresse ao Senado pela sigla em São Paulo. Tebet saiu do MDB e se filiou ao PSB para disputar o cargo no estado. 

Da mesma forma, o MDB fortaleceu a aliança com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e filiou o vice-governador Felício Ramuth, que saiu do PSD. Tarcísio será adversário do candidato do PT a governador de São Paulo, Fernando Haddad, que foi um dos principais ministros do governo.

Em outro debate, o MDB resistiu a um afiliado ao ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, que está de saída do PSD e deve concorrer a governador de Minas Gerais pelo PSB com o apoio de Lula. O diretório emedebista de Minas resistiu a dar palanque para Lula e já tem o ex-vereador Gabriel Azevedo como pré-candidato.

O presidente do PT, Edinho Silva, esteve em Minas no último final de semana, onde perdeu as dificuldades de composição.

— Penso que as alianças com o PSD e MDB serão construídas nos estados. Não acredito em aliança nacional com esses partidos — declarou.

Ainda assim, o grupo governista do MDB avalia que o partido dá sinais mais fortes de apoio a Lula do que outras legendas de centro e centro-direita, como o PSD, que lançou a pré-candidatura de Ronaldo Caiado, os Republicanos e a Federação União Brasil-PP, que se dividem entre apoiar Flávio Bolsonaro ou a neutralidade.

Ainda que um apoio formal do MDB esteja por ora sepultado, os emedebistas apontam alianças fortes em diversos estados já no primeiro turno, como Ceará, Amazonas, Maranhão, Bahia, Pará, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, um exemplo do que aconteceu em 2022.